68 Perguntas Bíblicas respondidas por Alberto Timm (Vários Temas)

Perguntas Bíblicas respondidas por Alberto Timm

1 - “Quem são os espíritos em prisão para os quais Jesus pregou, em I Pedro 3:18-21? O texto está falando da possibilidade de serem batizadas pessoas que já morreram?

2 - Jesus é a sabedoria mencionada em Provérbios 8?

3 - A Bíblia proíbe a transfusão de sangue?

4 - Os OVNIs são visitantes extraterrestres?

5 - Deuteronômio 34:7 nos diz que Moisés morreu, e Lucas 9:30 e 31 sugere que sua morte haveria de se cumprir em Jerusalém. Como harmonizar essas duas declarações? 

6 - Quais são as dispensações que Deus nos concedeu? Estamos sob a dispensação da graça?

7 - O que a Bíblia diz sobre a dança?

8 - Que princípios os cristãos devem levar em consideração na escolha da música?

9 - Um pastor me disse que Deus determinou antecipadamente quem vai ser salvo e quem se perderá. O que a Bíblia diz sobre isso?


10 - Por que a Bíblia católica tem mais livros do que a protestante?

11 - Se na Nova Terra “não haverá luto, nem pranto, nem dor” (Apocalipse 21:4), por que então as folhas da árvore da vida serão “para a cura dos povos” (Apocalipse 22:2)? 

12 - Como interpretar a parábola do rico e Lázaro em Lucas 16:19-31?

13 - Sou muito infeliz no casamento e, por isso, mantenho um relacionamento extraconjugal. Gostaria de saber se Deus aprovaria o divórcio, para eu me casar com a outra mulher.

14 - O que Jesus quis dizer em Lucas 16:9 (“Granjeai amigos com as riquezas da injustiça...”)? 

15 - Qual o significado dos “sábados” mencionados em Colossenses 2:16-17? 

16 - Quem mudou o dia do Senhor do sábado para o domingo?

17 - Se o arrependimento é derivado de um ato mau e Deus conhece o fim desde o princípio, como explicar o fato de Deus haver Se arrependido (Gênesis 6:6 e 7)? 

18 - Por que Jesus disse “o Pai é maior do que Eu” (João 14:28)?

19 - Como podemos entender Mateus 15:10-20? Ali é dito que “não é o que entra pela boca o que contamina o homem” (verso 11)

20 - Gostaria de saber se em I Timóteo 4:1-5 Paulo não estaria ordenando os cristãos a comerem de tudo.

21 - Quem são os “filhos de Deus” em Gênesis 6:2?

22 - Se todos os crentes são, de acordo com as Escrituras, ministros do Senhor, não deveriam todos ter a liberdade de ministrar a Palavra e de oficiar o rito do batismo? (Mateus 28:18-20)

23 - Que relação existe entre o cálculo judaico de 5.758 anos para a história da Terra (até 1998) e a teoria dos seis mil anos para o fim do mundo?

24 - Quem são os 144 mil de Apocalipse 14? 

25 - Quem é o “arcanjo Miguel” mencionado em Judas 9?

26 - Qual foi o “sinal” que Deus colocou em Caim (Gênesis 4:15)

27 - Gostaria de saber se Jefté realmente sacrificou sua filha (Juízes 11:29-40)

28 - O que a Bíblia diz sobre masturbação?

28 - Por que Jesus dizia às pessoas para não divulgarem os Seus milagres, como em Marcos 7:36? 

30 - O “bode emissário” de Levítico 16 é um símbolo de Cristo ou de Satanás?

31 - O que Jesus queria dizer com a declaração de que alguns não passariam pela morte até que vissem “o Filho do homem no Seu reino” (Mateus 16:28)?

32 - Uma vez que Jesus afirmou ser “senhor do sábado” (Mateus 12:8), por que continuar guardando esse dia?

33 - Qual o significado da visão sobre o vale de ossos secos de Ezequiel 37:1-14?

34 - Qual a origem de Satanás?

35 - Onde Jesus esteve dos 12 aos 30 anos de idade? 

36 - O Espírito Santo iniciou Suas atividades no mundo apenas a partir do Pentecostes (Atos 2)? 

37 - Podemos considerar a Deus como a Natureza globalizada pelas leis instituídas bioquimifisiologicamente e matematicamente? 

38 - Seria a Bíblia o produto de uma congregação de cientistas e filósofos com a ajuda do suposto “Deus” Judeu?

39 - Gostaria de obter uma explicação sobre o uso do véu, mencionado em I Coríntios 11:2-16. 

40 - Por que razão Paulo ordenou que as mulheres ficassem caladas na igreja (I Coríntios 14:34 e 35)? 

41 - Uma vez que as denominações cristãs alegam fundamentar seus ensinos na Bíblia, por que existem diferenças doutrinárias entre elas? 

42 - Por que foi ordenado aos israelitas que não cozinhassem a carne do cabrito no leite de sua mãe (Êxodo 23:19)?

43 - Sendo que Cristo ressuscitou no domingo, não deveria este ser o dia de guarda para todos os cristãos? 

44 - Existe base bíblica para o batismo de crianças por imersão?

45 - Como explicar o fato da prostituta Raabe haver escondido os espias de Josué, e haver mentido a respeito (Josué 2), e Deus ainda usar de misericórdia para com ela e seus familiares. (Josué 6:22-25)?

46 - O ato de circuncisão é obrigatório ou opcional nos dias de hoje? 

47 - Qual a diferença entre sonhos proféticos e visões proféticas?

48 - Como é possível saber se um sonho é de Deus ou não? 

49 - Segundo o Novo Testamento, os conversos ao cristianismo devem ser batizados em nome da Trindade ou apenas em nome de Cristo? 

50 - Devemos orar somente a Deus o Pai, em nome de Cristo, ou podemos orar também ao próprio Cristo? 

51 - Podemos considerar os males que ocorrem na vida das pessoas como resultados do destino? 

52 - São todos os pecados iguais aos olhos de Deus?

53 - Se na nova terra “a morte já não existirá” (Apocalipse 21:4), como é possível que nela “morrer aos cem anos é morrer ainda jovem” (Isaías 65:20)? 

54 - Qual o significado da declaração “tudo o que se move, e vive, ser-vos-á para alimento” (Gênesis 9:3)?

55 - Qual a diferença entre o verdadeiro dom de línguas e o falso? 

56 - Como entender a promessa de falar "novas línguas", em Marcos 16:17? 
Podemos considerar os males que ocorrem na vida das pessoas como resultados do destino?

57 - Todos os pecados são iguais aos olhos de Deus?

58 - Se os mortos permanecem em estado de inconsciência, como explicar que a ‘alma’ de Raquel saiu dela por ocasião de sua morte (Gênesis 35:18)?

59- O que aconteceu com as pessoas que ressuscitaram quando Jesus morreu (Mateus 27:51-53)?

60 - Em que sentido Cristo concedeu autoridade aos discípulos para perdoarem pecados (João 20:23)?

61 Como entender a declaração de que é impossível renovar "para arrependimento" aqueles que já "provaram o dom celestial" e "caíram" (Hebreus 6:4-6)?

62 - Devemos entender as 2.300 "tardes e manhãs" (Daniel 8:14) como 2.300 dias ou como 1.150 dias?

63 - Existe base bíblica para a interpretação das 2.300 "tardes e manhãs" (Daniel 8:14) como 2.300 anos?

64 - Em que sentido o Senhor endureceu o coração de Faraó?

65 - Como entender a declaração de que é impossível renovar ‘para arrependimento’ aqueles que ‘provaram o dom celestial’ e ‘caíram’ (Heb. 6:4-6)?

66 - Como explicar a existência de um dia de 24 horas nos três primeiros dias da Criação, se o Sol só apareceu no quarto dia?

67 - O que significa a "Festa da Lua Nova" em Isaías 66:23?

68 - Podemos considerar o Armagedom como a terceira guerra mundial?

RESPOSTAS A SEGUIR


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Quem são os espíritos em prisão para os quais Jesus pregou, em I Pedro 3:18-21? O texto está falando da possibilidade de serem batizadas pessoas que já morreram?

por Alberto R. Timm

Alguns comentaristas bíblicos identificam a pregação aos “espíritos em prisão” mencionada em I Pedro 3:19 como uma suposta pregação de Cristo, após a Sua morte e antes de Sua ressurreição, aos espíritos desencarnados dos antediluvianos. 

Outros chegam a propor que Cristo foi pregar, após Sua ressurreição, aos anjos maus que haviam sido desobedientes nos dias de Noé.

A primeira dessas teorias é inaceitável, pois contraria o claro ensino bíblico (1) de que “aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” (Hebreus 9:27); e (2) de que os mortos permanecem inconscientes na sepultura até o dia da ressurreição (ver Jó 14:10-12; Sal. 146:4; Eclesiastes 9:5, 10; I Coríntios 15:16-18; I Tessalonicenses 4:13-15). 

Seria, portanto, completamente antibíblico pretender que Cristo, enquanto repousava na sepultura ou mesmo após Sua ressurreição, haja descido ao inferno para estender uma nova oportunidade de salvação aos pretensos espíritos desencarnados dos antediluvianos.

Já a teoria de que Cristo pregou, após Sua ressurreição, aos anjos maus que haviam sido desobedientes nos dias de Noé não consegue responder satisfatoriamente algumas questões básicas: que necessidade haveria de Cristo pregar aos anjos caídos, sendo que estes já não tinham mais acesso à salvação (Judas 6)? 

Como conciliar o fato de I Pedro 3:20 qualificar esses “espíritos em prisão” como havendo sido desobedientes “noutro tempo” com o conceito bíblico de que os anjos maus continuam desobedientes até hoje (Efésios 6:12; I Pedro 5:8)?

Analisando detidamente o conteúdo de I Pedro 3:18-21, percebe-se, em primeiro lugar, que a pregação “aos espíritos em prisão” foi levada a efeito por Cristo em Sua condição original glorificada. Esta interpretação é sugerida pela própria construção da frase “morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito” (verso 18). 

A expressão grega traduzida como “vivificado no espírito” (verso 18), tomada isoladamente, pode ser vertida também como “vivificado pelo Espírito” (com referência ao Espírito Santo). Mas quando aplicada especificamente a Cristo, e usada em contraste com a expressão “na carne”, a tradução mais apropriada é “vivificado no espírito”.

Nesse caso, “morto sim, na carne” refere-se à condição de humilhação de Cristo durante Sua encarnação; enquanto “vivificado no espírito” é uma alusão ao Seu estado original de exaltação, reassumindo após Sua ressurreição (Romanos 1:3-4; I Timóteo 3:16). 

Assim, o fato da pregação “aos espíritos em prisão” ser associada no verso 19 ao Cristo “vivificado no espírito” nos impede de ver qualquer cumprimento dessa pregação durante o Seu estado de humilhação ou encarnação.

Já os “espíritos em prisão” (verso 19), que foram o alvo da pregação de Cristo, são identificados no verso 20 como sendo os “desobedientes” antediluvianos dos “dias de Noé”. 

O termo “espírito” (grego pneuma) é usada neste texto, e em outras partes do Novo Testamento (I Coríntios 16:18 e Gálatas 6:18), como uma referência a pessoas vivas capazes de ouvirem e aceitarem o convite da salvação. Por sua vez, a expressão “em prisão” refere-se obviamente, não a uma prisão literal, mas à prisão do pecado em que se encontra a natureza humana carnal não regenerada (ver Romanos 6:1-23; 7:7-25).

Diante disso, somos levados à evidente conclusão de que a pregação de Cristo aos antediluvianos impertinentes foi efetivada através de Noé “divinamente instruído” por Deus (Hebreus 11:7) e qualificado pelo próprio apóstolo Pedro como “pregador da justiça” para os seus contemporâneos (II Pedro 2:5).

Pedro evoca, então, à lembrança a analogia de Cristo entre os “dias de Noé” e os últimos dias (ver Mateus 24:37-39). Assim como Noé e sua família foram salvos da morte “através da água” do dilúvio pela arca (I Pedro 3:20), os cristãos são salvos da morte espiritual através do “batismo” “por meio da ressurreição de Jesus Cristo” (verso 21; ver Romanos 6:4-14). 

Portanto, o texto não se refere a um suposto batismo de pessoas que já morreram, mas ao verdadeiro batismo cristão de pessoas vivas, que previamente se arrependeram de seus pecados (Atos 2:38) e creram em Jesus Cristo (Marcos 16:15-16).

Fonte: Sinais dos Tempos, julho de 1997. p. 29 (usado com permissão)


Jesus é a sabedoria mencionada em Provérbios 8?

por Alberto R. Timm

Diferentes teorias foram propostas ao longo da história do cristianismo para identificar a “sabedoria” mencionada em Provérbios 8:22-31. Alguns teólogos do 2º século d.C. a viam como sendo o Espírito Santo. Já no 3º século, essa interpretação deu lugar a uma generalizada identificação dela com Cristo, a segunda pessoa da divindade. 

Comentaristas mais recentes continuam discutindo se ela foi realmente uma companheira (ser distinto) do Senhor em Sua obra criadora ou meramente uma característica (atributo) dEle.

Para compreendermos a sabedoria de Provérbios 8:21-31, devemos ter em mente: 

(1) que ela não é apresentada como um ser divino em nenhuma das demais passagens de Jó, Provérbios e Eclesiastes onde aparece personificada; 

(2) que ela assume neste texto as prerrogativas divinas de haver existido com Deus antes da obra da criação e de haver sido o “arquiteto” dessa obra; e 

(3) que ela é descrita como havendo nascido antes da obra da criação (versos 24 e 25).

Reconhecendo a Cristo como a “sabedoria de Deus” (I Coríntios 1:24 e 30) e Aquele “em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Colossenses 2:3), o Novo Testamento também O identifica como igual a Deus o Pai, e por conseguinte, coeterno com Ele (Filipenses 2:6-7; Colossenses 2:8-9; Hebreus 1:2-3). 

Assim, se a sabedoria mencionada em Provérbios 8:22-31 teve realmente um início (como sugere a expressão “eu nasci” nos versos 24 e 26), então ela não pode ser a pessoa eterna de Cristo ou um dos atributos eternos do Pai, mas apenas uma manifestação específica da eterna sabedoria de Deus em Cristo na obra da criação, descrita pelo próprio texto em consideração (ver João 1:1-5 e 10; Colossenses 1:15-17; Hebreus 1:1-14; Apocalipse 3:14).

Fonte: Sinais dos Tempos, julho de 1997. p. 29 (usado com permissão)



por Alberto R. Timm

Embora injeções de sangue animal em seres humanos já houvessem sido feitas no século 17, a primeira transfusão de sangue humano em seres humanos foi realizada em 1818, pelo médico inglês James Blundell. 

Tais experimentos foram, no entanto, de pouco êxito até a descoberta dos grupos sanguíneos, em 1900, pelo imunologista austríaco Karl Landsteiner. Como essas experiências começaram muitos séculos após o período bíblico, é óbvio que as Escrituras não tratam explicitamente do assunto.

O uso do sangue como alimento é proibido tanto no Antigo Testamento (Gênesis 9:4; Levítico 3:17; 7:27; 17:10-14; 19:26) como no Novo Testamento (Atos 15:20, 29; 21:25). Pesquisas científicas têm confirmado que o consumo oral de sangue não é conveniente pelo fato de ele ser indigesto, de fácil decomposição e um veículo não apenas de nutrientes mas também de impurezas prejudiciais ao aparelho digestivo.

Mas é interessante notarmos que o sangue de animais era vertido durante o Antigo Testamento como um símbolo do sangue de Cristo a ser derramado sobre o Calvário pela salvação da raça humana (ver Hebreus 9:11-28; I João 1:7).

Uma vez que apenas o uso do sangue como alimento é proibido nas Escrituras, e que o sangue era vertido vicariamente pela salvação espiritual dos pecadores, por que razão não poderíamos realizar transfusões de sangue para a salvação física das pessoas?

Sendo que nenhuma proibição é encontrada nas Escrituras à transfusão venal de sangue, cremos que esta pode e deve ser ministrada sempre que o propósito seja salvar vidas. 

A recusa de ministrá-la a alguém que a necessite é uma transgressão direta tanto (1) do princípio de preservação da vida, enunciado através do mandamento “Não matarás” (Êxodo 20:13), como (2) do amor cristão, expresso na declaração de Cristo: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos” (João 15:13).

Fonte: Sinais dos Tempos, agosto de 1997. p. 27 (usado com permissão)


Os OVNIs são visitantes extraterrestres?

por Alberto R. Timm

Várias teorias têm sido propostas para explicar a natureza dos supostos OVNIs (objetos voadores não-identificados). Enquanto alguns acreditam serem mero fruto da imaginação humana, outros defendem a idéia de que são veículos espaciais conduzidos por seres extraterrestres. Mesmo não usando a expressão moderna OVNI, Bíblia apresenta alguns princípios básicos que podem nos ajudar na compreensão desse tema intrigante.

As Escrituras deixam claro que todas as manifestações sobrenaturais e sobre-humanas, neste mundo de pecado, procedem de um dos dois grandes poderes conflitantes do Universo: a Trindade e os anjos leais, de um lado, e Satanás e outros seres demoníacos (Apocalipse 12:7-9). Isto nos leva à conclusão de que, se os OVNIs existem, devem se enquadrar em uma das duas alternativas acima mencionadas.

Uma análise detida da Bíblia revela o fato de que grande parte das manifestações satânicas são confusas, indefinidas e enganosas. A ênfase repousa, freqüentemente, mais no fascínio das emoções do que em um conteúdo proposicional concreto. 

Dentro desta categoria se enquadram as encarnações demoníacas na forma de animais (Gênesis 3:1-5; Apocalipse 12:9), de pessoas já mortas (I Samuel 28) e de seres angelicais (II Coríntios 11:14).

Somos advertidos de que os poderes demoníacos haveriam de operar nos últimos dias “grandes sinais e prodígios” (Mateus 24:24; Marcos 13:22), de realizar “coisas espantosas e também grandes sinais do céu” (Lucas 21:11), de se transformar em anjos de luz (II Coríntios 11:14), e de fazer descer fogo do céu “à terra diante dos homens” (Apocalipse 13:13). Esses sinais e maravilhas teriam por objetivo “enganar, se possível, os próprios eleitos” (Mateus 24:24; Marcos 13:22; ver João 8:44; II Tessalonicenses 2:9 e 10).

Comparando-se os testemunhos sobre aparições de OVNIs com o relato bíblico, percebe-se nitidamente que tais aparições jamais podem ser consideradas, nem em forma nem em conteúdo, como manifestações divinas, ou de anjos bons, ou ainda de possíveis habitantes de outros mundos não-caídos do Universo. 

Resta, portanto, a inevitável conclusão de que elas só podem ser consideradas como parte dos “grandes sinais e prodígios” que haveriam de acompanhar as fascinantes manifestações demoníacas dos últimos dias (ver Apocalipse 16:14).
Os escritores americanos Myron Widmer e Sidney Reiners divisam, por trás das aparições de OVNIs, um plano mestre de engano satânico. 

Widmer declara que o “constante aumento de fé no sobrenatural continua preparando o cenário para os eventos finais, quando a mente do povo terá visto e ouvido tanto do sobrenatural que as ilusões e os enganos de Satanás parecerão muito naturais e acreditáveis”.

Já Sidney Reiners sugere que as aparições de “ufonautas” (supostos tripulantes dos discos voadores) hostis à vida na Terra poderiam precipitar “uma corrida rumo a um governo mundial, com a perda, num estado de pânico, dos princípios democráticos”. Ufonautas amigos, por outro lado, poderiam persuadir facilmente os seres humanos a “solucionar” os problemas da humanidade com seus planos enganosos.

Quer as hipóteses de Reiners se cumpram literalmente ou não, o verdadeiro cristão deve alicerçar sua fé sobre a Palavra de Deus, para não sucumbir aos enganos satânicos. Como Cristo enfrentou as tentações demoníacas no deserto com a autoridade das Escrituras (ver Mateus 4:1-11), o verdadeiro cristão jamais se deixará seduzir por qualquer experiência visual, auditiva ou emocional que não esteja em perfeita harmonia com o claro ensino bíblico (ver Isaías 8:19 e 20; Gálatas 1:8).

Fonte: Sinais dos Tempos, agosto de 1997. p. 27 (usado com permissão)


Deuteronômio 34:7 nos diz que Moisés morreu, e Lucas 9:30 e 31 sugere que sua morte haveria de se cumprir em Jerusalém. Como harmonizar essas duas declarações?

por Alberto R. Timm

Deuteronômio 34:5-7 afirma explicitamente que Moisés morreu com “a idade de cento e vinte anos” (a.C. 1405), e que o Senhor “o sepultou num vale, na terra de Moabe, defronte de Bete-Peor”. Lucas 9:30 e 31, por sua vez, declara que o diálogo da transfiguração foi sobre a futura morte de Cristo em Jerusalém (ver Lucas 10:31-33), e não a respeito de outra morte de Moisés.

O aparecimento de Elias e Moisés no evento da transfiguração foi genuíno e possível pelos fatos (1) de Elias haver sido trasladado vivo ao Céu, sem provar a morte (II Reis 2:9-12), e (2) de Moisés haver sido previamente ressuscitado dos mortos e levado para o Céu, como sugere a declaração de que certa ocasião o arcanjo Miguel disputou com o diabo a posse “do corpo de Moisés” (Judas 9).

Qualquer tentativa de justificar a teoria espírita da reencarnação, com base no relato da transfiguração, está em direta oposição ao claro ensinamento bíblico de que “aos homens está ordenado morrerem uma só vez vindo depois disso o juízo” (Hebreus 9:27). As Escrituras não reconhecem como autênticas quaisquer comunicações com mortos que não foram previamente ressuscitados de forma corpórea e literal. Manifestações espirituais de mortos não-ressuscitados são identificadas como enganosas contrafações satânicas (ver I Samuel. 28:1-25; Isaías 8:19 e 20; Apocalipse 21:8).


Fonte: Sinais dos Tempos, outubro de 1997. p. 29 (usado com permissão)

Quais são as dispensações que Deus nos concedeu? Estamos sob a dispensação da graça?

por Alberto R. Timm

Muita especulação tem havido sobre o número e a natureza das dispensações ou sistemas de relacionamento entre Deus e a raça humana. A grande maioria dos “dispensacionalistas” contemporâneos alega 

(1) que a história bíblica está dividida em sete dispensações distintas; 

(2) que Deus possui ainda hoje propósitos salvíficos diferentes para Israel e para a Igreja; e 

(3) que vivemos hoje sob a “dispensação da graça”, enquanto os israelitas estiveram, do Sinai à morte de Cristo, sob a “dispensação da lei”.

Por mais atrativos que os diagramas dispensacionalistas possam parecer, eles carecem de fundamentação bíblica. A divisão da história da salvação em sete dispensações distintas, como proposta pelos dispensacionalistas, não deriva de uma exegese acurada dos textos bíblicos onde aparecem os termos gregos oikonomia (traduzido como “dispensação” em Efésios 1:10; 3:2 e 9; Colossenses 1:25) ou aión (traduzido como “era[s]” em Lucas 20:35; Judas 25), e nem sempre é sugerida pelo consenso geral das Escrituras. 

Tal divisão não passa, portanto, de um esquema artificial, arbitrariamente imposto às Escrituras, que acaba retalhando a unidade tipológica da Palavra de Deus.

A própria Bíblia divide a história humana em duas grandes dispensações, interligadas através de um relacionamento tipológico. A primeira delas é a dispensação do Antigo Testamento, que se estendeu da queda do homem à morte de Cristo; e a segunda é a presente dispensação do Novo Testamento, que iniciou com a morte de Cristo e prossegue até a Sua segunda vinda. 

A epístola aos Hebreus define o relacionamento tipológico existente entre ambas as dispensações ao mencionar que a primeira foi um tipo (“figura” ou “sombra”) da segunda; e que esta, por sua vez, é o antítipo (realidade ou concretização) da primeira (ver Hebreus 7:10).

Já a teoria dispensacionalista de uma permanente distinção entre Israel e a Igreja desconhece completamente o conceito neotestamentário de que em Cristo todas as distinções raciais e étnicas foram desfeitas. Paulo é claro em afirmar que em Cristo “não há distinção entre judeu e grego” (Romanos 10:12), e que todos os que estão em Cristo são também “descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa” (Gálatas 3:26-29; ver Hebreus 11:8-16).

Sérias implicações teológicas estão associadas à falsa dicotomia dispensacionalista de que sob a antiga dispensação israelita “da lei” os pecadores eram salvos “pela lei” sem a graça, e que sob a presente dispensação cristã “da graça” as pessoas são salvas “pela graça” sem a lei. 

Se todos os seres humanos de todas as épocas são igualmente pecadores (Jeremias 13:23; Romanos 3:23; Efésios 2:1-3), como foi possível que alguns deles puderam ser salvos pelos seus próprios méritos de obediência à lei? Não teria Deus sido injusto para com as pessoas do Antigo Testamento, ao impor-lhes um plano de salvação legalista, bem mais severo do que o do Novo Testamento?

Uma análise detida do conceito bíblico de salvação revela o fato de que os pecadores foram, sob ambas as dispensações e em todos os tempos, sempre salvos pela graça (Salmo 6:4; Isaías 55:1-4; Efésios 2:8 e 9), justificados pela fé (Gênesis 15:6; Habacuque 2:4; Romanos 5:1) e julgados pelas obras (Deuteronômio 28; Mateus 5:16-21; 25:31-46; Apocalipse 20:11-13). 

Isso significa, em primeiro lugar, que o Antigo Testamento não ensina um caminho legalista de salvação. É interessante notarmos que, mesmo no concerto do Sinai (ver Êxodo 19:24), Deus primeiro salvou o Seu povo da escravidão do Egito (Êxodo 20:1 e 2) para depois proclamar-lhe o Decálogo e exigir a obediência (Êxodo 20:3-17). 

Por semelhante modo, o Deuteronômio “não ensina”, de acordo com Gerhard von Rad, “um caminho legalista”, pois nele os imperativos da obediência requerida são sempre uma resposta de Israel aos indicativos da salvação anteriormente provida pelo Senhor. Além disso, todos os sacrifícios oferecidos sob a antiga dispensação prefiguravam em símbolos a suprema revelação da graça salvífica de Deus na morte de Cristo como “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1:29).

Por outro lado, a nova dispensação não ensina um caminho antinomista (sem lei) de salvação. A falsa teoria de que a graça de Deus invalida a necessidade da observância do Decálogo desvirtua completamente o plano da salvação. Se “pecado é a transgressão da lei” (I João 3:4) e a lei fosse abolida, então não existiriam mais pecadores e, conseqüentemente, não haveria mais necessidade de salvação. 

Paulo refuta esta teoria ao afirmar que a fé não anula a lei moral (Romanos 3:31; ver Mateus 5:17 e 18), pois o problema do pecado não está na lei, que é santa, justa e boa (Romanos 7:12), mas no próprio pecador que precisa ser regenerado pela graça de Deus (Romanos 3:23). Aqueles que verdadeiramente aceitam o dom gratuito da salvação de Deus em Cristo passam da condenação da lei (Romanos 8:1-4) para a conformidade com a lei (Hebreus 8:8-10).

Fonte: Sinais dos Tempos, outubro de 1997. p. 29 (usado com permissão)



por Alberto R. Timm

Uma análise das referências bíblicas à dança revela o fato de que as danças israelitas consideradas como apropriadas eram de natureza litúrgica, sendo acompanhadas por hinos de louvor a Deus. Elas eram geralmente praticadas entre grupos de pessoas do mesmo sexo e sem quaisquer conotações sensuais (ver Êxodo 15:20; Juízes 11:34; 21:21-23; I Samuel 18:6; II Samuel 6:14-16; I Crônicas 15:29).

A Bíblia fala também de pelo menos duas ocasiões em que pessoas estavam envolvidas em danças inadequadas. A primeira delas foi a dança idolátrica dos israelitas no contexto da adoração do bezerro de ouro (Êxodo 32:19). A segunda foi a dança da filha de Herodias para agradar o rei Herodes e seus convidados, no banquete em que João Batista foi executado (Mateus 14:6; Marcos 6:22).

Embora os judeus nos dias de Jesus continuassem praticando a dança (ver Lucas 15:25), não encontramos nenhuma evidência no Novo Testamento de que a igreja cristã primitiva perpetuasse tal costume. Há quem sugira que esse rompimento cristão com a dança deve-se à degeneração desde já no tempo de Cristo.

Em contraste com as danças litúrgicas do período bíblico, a maioria das danças modernas são praticadas sob o ritmo sensual das músicas profanas, que desconhecem completamente o princípio enunciado em Filipenses 4:8: 

“Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvou existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.”

Grande parte das danças de hoje tem-se transformado em um dos maiores estimuladores do sensualismo. Mesmo não se envolvendo diretamente em relações sexuais explícitas, seus participantes geralmente se entregam ao sensualismo mental (ver Mateus 15:19-20), desaprovado por Cristo em Mateus 5:27-28: 

“Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.”

Há aqueles que endossam as danças particulares entre cônjuges unidos pelos laços matrimoniais. Embora tais práticas pareçam inocentes à primeira vista, elas representam o primeiro passo rumo a estilos mais avançados de dança, integrando eventualmente o casal a grupos dançantes. Seja como for, o cristão dispõe hoje de outras formas de integração e entretenimento sociais mais condizentes com os princípios bíblicos de conduta do que a excitação e o sensualismo promovidos pela maioria das danças modernas.

Fonte: Sinais dos Tempos, novembro de 1997. p. 29 (usado com permissão)


Que princípios os cristãos devem levar em consideração na escolha da música?

por Alberto R. Timm

Toda música reflete componentes básicos da cultura ou subcultura em que foi concebida, bem como dos valores pessoais e, em certos casos, até mesmo o estilo de vida do seu compositor. Isso significa que cada música transmite uma mensagem aos seus ouvintes. Essa mensagem pode ser enunciada explicitamente através de uma letra específica ou, simplesmente, comunicada às emoções dos ouvintes através da combinação de sons.

Em sua obra How Should We Then Live?, Francis A. Schaeffer demonstra como a música contemporânea tem refletido a cosmovisão e os valores existenciais do homem contemporâneo (The Complete Works of Francis A. Schaeffer, 2ª ed., vol. 5, pp. 195-209). 

Conflitos interiores, egocentrismo, sensualismo e abandono de padrões morais são alguns dos valores popularizados por grande parte da música moderna. Já desde a mais tenra idade, as crianças de nossa sociedade têm sido inescrupulosamente estimuladas, em nome da cultura e da popularidade, a substituir os valores morais do cristianismo tradicional pelo sensualismo de inúmeras canções populares, entoadas como melodias repetitivas e ritmos eletrizantes.

Embora o cristão seja ao mesmo tempo um cidadão deste mundo e do reino de Deus (ver Mateus 22:21), ele não pode se esquecer de que sua cidadania celestial tem precedência sobre sua cidadania terrestre (Mateus 6:33; João 17:14-16). Mesmo não tendo que romper com toda a música secular, o cristão deve ter em mente que o fato de uma música ser popular e culturalmente aceita não significa necessariamente que ela seja apropriada, pois nem sempre a maioria está correta. 

A cultura popular deve ser aceita apenas até o ponto em que não conflite com os valores bíblicos. Quando tal conflito surge, o verdadeiro cristão não hesita em romper com os componentes anti-bíblicos de sua própria cultura, pois, de acordo com o conceito apostólico, “antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29).

O subjetivismo dos gostos pessoais e o apelo da cultura popular devem ser subjulgados e reeducados em conformidade com os princípios normativos da Palavra de Deus. Não apenas a letra de uma música mas também os estímulos da própria música sobre as emoções dos ouvintes devem ser cuidadosamente analisados. O rei Salomão nos adverte: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Provérbios 4:23).

Fonte: Sinais dos Tempos, novembro de 1997. p. 29 (usado com permissão)


Um pastor me disse que Deus determinou antecipadamente quem vai ser salvo e quem se perderá. O que a Bíblia diz sobre isso?

por Alberto R. Timm

Deus sabe realmente quem vai ser salvo e quem se perderá, porque Ele é “perfeito em conhecimento” (Jó 37:16) e “conhece todas as coisas” (I João 3:20), inclusive “o que há de acontecer” (Isaías 46:10). Mas esse conhecimento divino, que é absoluto mas não-causativo, não restringe de qualquer forma a liberdade humana de escolher o caminho da salvação ou da perdição.

A Bíblia deixa claro que o mesmo Deus que “faz nascer o sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos” (Mateus 5:45) também oferece a salvação a todos igualmente. Ele não apenas ordena que o evangelho seja pregado “a toda criatura” (Marcos 16:75), mas também convida: 

“Ah! Todos vós os que tendes sede, vinde às águas...” (Isaías 55:1) e “Vinde a Mim, todos...” (Mateus 11:28). 

O mesmo conceito da imparcialidade divina é apresentado pelo apóstolo Pedro em sua declaração: 

“Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que O teme e faz o que é justo Lhe é aceitável” (Atos 10:34 e 35).

Alegar que todos os seres humanos já nasceram individualmente predestinados para a salvação ou para a perdição implica na rejeição das declarações apostólicas de que Deus “deseja que todos os homens sejam salvos” (I Timóteo 2:4) e “que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (II Pedro 3:9). Como poderia o apóstolo Paulo haver instado a “que todos, em toda parte, se arrependam” (Atos 17:30), se nem todos pudessem se arrepender?

Embora a salvação seja oferecida gratuitamente a todos indistintamente, somente aqueles que a aceitam pela fé serão salvos (ver Efésios 2:8-10). 

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). 

A perdição dos ímpios não é, portanto, o resultado de um decreto divino arbitrário, mas sim a conseqüência natural de haverem rejeitado individualmente a oferta de salvação.

A. W. Tozer comenta: 

“Certas coisas foram decretadas pelo livre-arbítrio de Deus, e uma delas é a lei da escolha e suas conseqüências. Deus declarou que todo aquele que voluntariamente se entrega a Seu Filho Jesus Cristo na obediência da fé, receberá a vida eterna e se tornará filho de Deus. Decretou também que aqueles que amam as trevas e continuam em sua rebeldia contra a suprema autoridade do Céu, permanecerão em estado de alienação espiritual e sofrerão afinal a morte eterna.” – Mais Perto de Deus (São Paulo: Mundo Cristão, 1980), p. 132.

Embora Deus haja predestinado à salvação todos os que voluntariamente aceitam a Cristo (ver Efésios 1:3-14), Ele não predestinou ninguém para a perdição. Que compete ao próprio homem (e não a Deus) escolher o seu destino é óbvio nas seguintes palavras de Josué 24:15: 

“Porém, se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei, hoje, a quem sirvais: se aos deuses a quem serviram vossos pais que estavam dalém do Eufrates ou aos deuses dos amorreus em cuja terra habitais. Eu e a minha casa serviremos ao Senhor.”

O Novo Testamento esclarece que mesmo os eleitos do Senhor podem cair da salvação, ao se afastarem de Cristo (Hebreus 6:4-6). Por essa razão, o apóstolo Paulo declarou: 

“Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (I Coríntios 9:27). 

E é pelo mesmo motivo que Cristo disse que somente os que perseverarem até o fim serão salvos (Mateus 10:22; 24:13; Marcos 13:13).

Portanto, embora o homem seja completamente incapaz de salvar-se a si mesmo, ele pode escolher permitir que Deus o salve ou não.

Fonte: Sinais dos Tempos, dezembro de 1997. p. 28 (usado com permissão)


Por que a Bíblia católica tem mais livros do que a protestante?

por Alberto R. Timm

A Bíblia protestante é constituída por 66 livros, 39 dos quais formam o Antigo Testamento e 27 o Novo Testamento. Já a Bíblia católica possui, além desses 66 livros, outros sete livros completos (Tobias, Judite, I Macabeus, II Macabeus, Baruque, Sabedoria e Eclesiástico) e alguns acréscimos ao texto dos livros de Ester (10:4 a 11:1 ou a 16:24) e Daniel (3:24-90; caps. 13 e 14). Esses livros e fragmentos adicionais são chamados de deuterocanônicos, pelos católicos, e de apócrifos, pelos protestantes.

Os apócrifos (ou deuterocanônicos) foram produzidos, em sua maioria, durante os dois últimos séculos a.C. Embora não fizessem parte da Bíblia hebraica dos judeus da Palestina, eles foram incorporados à tradução da Bíblia ao latim (Vulgata Latina), que preservou e popularizou esses acréscimos durante a Idade Média. 

Já o Concílio de Trento decretou em sua Quarta Sessão, reunida em 8 de abril de 1546, que aqueles que não reconhecessem os apócrifos da Vulgata Latina como genuinamente “sagrados e canônicos” deveriam ser anatemizados. Conseqüentemente, todas as versões católicas da Bíblia preservam até hoje esses escritos.

Os protestantes, por sua vez, reconhecem o valor histórico dos apócrifos, mas não os consideram como canônicos ou inspirados. Esta posição deriva do fato de tais escritos (1) não fazerem parte do cânon hebraico do Antigo Testamento; (2) não haverem sido citados por Cristo ou pelos apóstolos no Novo Testamento; e (3) apresentarem ensinamentos contrários ao restante das Escrituras. 

Entre esses ensinamentos encontram-se, por exemplo, as falsas teorias da existência do purgatório (Sabedoria 3:1-9; contrastar com Salmo 6:5; Eclesiastes 9:5, 10); das orações pelos mortos (II Macabeus 12:42-46; contrastar com Isaías 38:18 e 19); de que anjos bons mentem (Tobias 5:10-14; contrastar com Mateus 22:30; João 8:44); de que o fundo dos órgãos de um peixe, postos sobre brasas, espantam os demônios (Tobias 6:5-8; contrastar com Marcos 9:17-29); de que as esmolas expiam o pecado (Tobias 12:8 e 9; Eclesiástico 3:30; contrastar com I Pedro 1:18 e 19; I João 1:7-9). Isso nos impede de aceitar a inspiração e a canonicidade dos escritos apócrifos (ou deuterocanônicos).

Fonte: Sinais dos Tempos, dezembro de 1997. p. 28 (usado com permissão)


Se na Nova Terra “não haverá luto, nem pranto, nem dor” (Apocalipse 21:4), por que então as folhas da árvore da vida serão “para a cura dos povos” (Apocalipse 22:2)?

por Alberto R. Timm

Apocalipse 21:1 a 22:5 fala da restauração de todas as coisas ao seu estado de perfeição original, quando a morte e a doença não mais existirão (Apocalipse 21:4). Libertos do pecado e de suas conseqüências, os justos terão pleno acesso à árvore da vida, da qual nossos primeiros pais foram banidos em decorrência de sua transgressão (ver Gênesis 3:22-24).

Ao mencionar que as folhas dessa árvore serão “para a cura dos povos”, o texto não está falando da possibilidade de pessoas ainda ficarem doentes na Nova Terra e serem então curadas por essas folhas. 

A ênfase está no contraste entre a presente condição de alienação da árvore da vida, caracterizada por doença, sofrimento e morte, e o futuro estado de acesso a essa árvore, quando os remidos estarão completamente curados de todas as conseqüências do pecado. 

Portanto, as folhas da árvore da vida serão, de acordo com Jamieson, Fausset e Brown, “a preventiva fonte de saúde, que protegerá os remidos da doença, ao invés de curá-los dela”.

Fonte: Sinais dos Tempos, janeiro de 1998. p. 29 (usado com permissão)


Como interpretar a parábola do rico e Lázaro em Lucas 16:19-31?

por Alberto R. Timm

Alguns sugerem que o relato de Lucas 16:19-31 deveria ser interpretado literalmente, como uma descrição do estado do homem na morte. Mas essa interpretação nos levaria a uma série de conclusões inconsistentes com o restante das Escrituras. 

Em primeiro lugar, teríamos de admitir que o Céu e o inferno se encontram suficientemente próximos para permitir uma conversa entre os habitantes de ambos os lugares (versos 23-31). Teríamos de acreditar também na vida após a morte, enquanto o corpo jaz na sepultura, continua existindo de forma consciente uma espécie de alma espiritual que possui “olhos”, “dedo” e “língua”, e que inclusive pode sentir sede (versos 23 e 24).

Se esta fosse uma descrição real do estado do homem na morte, então o Céu certamente não seria um lugar de alegria e de felicidade, pois os salvos poderiam acompanhar de perto os infindáveis sofrimentos de seus entes queridos que se perderam e até mesmo dialogar com eles (versos 23-31). 

Como poderia uma mãe sentir-se feliz no Céu, contemplando ao mesmo tempo as agonias incessantes, no inferno, de seu amado filho? Num contexto como esse, seria praticamente impossível o cumprimento da promessa bíblica de que então “não haverá uto, nem pranto, nem dor” (Apocalipse 21:4).

Diante disso, a maioria dos eruditos bíblicos contemporâneos considera a história do rico e Lázaro (Lucas 16:19-31) como uma parábola, da qual nem todos os detalhes podem ser interpretados literalmente. George E. Ladd, por exemplo, diz que essa história era provavelmente “uma parábola de uso corrente no pensamento judaico e não tenciona ensinar coisa alguma acerca do estado dos mortos”. (O Novo Dicionário da Bíblia [São Paulo: Vida Nova, 1962], vol. 1, p. 512). Sendo esse o caso, temos que procurar entender qual o verdadeiro propósito da parábola.

Nos capítulos 15 e 16 de Lucas, Cristo apresenta várias parábolas em resposta à preconceituosa discriminação dos escribas e fariseus para com as classes marginalizadas da época (Lucas 15:1 e 2; 16:14 e 15). 

A parábola de Lucas 16:19-31, que aparece no final desses dois capítulos, é caracterizado por um forte contraste entre “certo homem rico” e bem vestido (verso 19) e “certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas” (verso 20). O relato ensina pelo menos duas grandes lições. 

A primeira é que o status e o reconhecimento social do presente não são o critério de avaliação para a recompensa futura. Em outras palavras, aqueles que, à semelhança dos escribas e fariseus, se julgam mais dignos do favor divino podem ser os mais desgraçados espiritualmente aos olhos de Deus (comparar com Mateus 23).

A segunda lição é que o destino eterno de cada pessoa é decidido nesta vida, e jamais poderá ser revertido na era vindoura, nem mesmo pela intervenção de Abraão (Lucas 16:25 e 26). A referência à impossibilidade de Abraão salvar o homem rico do seu castigo reprova o orgulho étnico dos fariseus, que se consideravam merecedores da salvação por serem descendentes de Abraão (ver Lucas 3:8; 13:28; João 8:39 e 40, 52-59).

É importante lembrarmos que um dos princípios básicos da interpretação bíblica é que não devemos fundamentar doutrinas nos detalhes acidentais de uma parábola, sem primeiro verificar se as conclusões obtidas estão em perfeita harmonia com o consenso geral das Escrituras. 

A própria parábola de Lucas 16:19-31 afirma que, para obter vida eterna, o ser humano precisa viver em plena conformidade com a vontade de Deus revelada através de “Moisés e os profetas” (verso 29; comparar com Mateus 7:21), ou seja, através da “totalidade da Escritura” (L. L. Morris).

Mesmo não tencionando esclarecer o estado do homem na morte, esta parábola declara, em harmonia com o restante das Escrituras, que osmorto só podem voltar a se comunicar com os vivos através da ressurrreição (Lucas 16:31). 

E, se analisarmos mais detidamente o que “Moisés e os profetas” têm a nos dizer sobre o estado na morte, perceberemos que os mortos permanecem inconscientes na sepultura até o dia da ressurreição final (ver Jó 14:10-12; Salmo 6:4-5; Eclesiastes 9:5, 10; João 5:28 e 29; 11:1-44; I Coríntios 15:16-18; I Tessalonicenses 4:13-15).

Fonte: Sinais dos Tempos, janeiro de 1998. p. 29 (usado com permissão)


Sou muito infeliz no casamento e, por isso, mantenho um relacionamento extraconjugal. Gostaria de saber se Deus aprovaria o divórcio, para eu me casar com a outra mulher.

por Alberto R. Timm

Um dos maiores problemas da sociedade contemporânea é a infelicidade e a conseqüente infidelidade no casamento. Sentindo-se incapazes de solucionar seus problemas matrimoniais, muitos têm optado pelo divórcio ou por relacionamentos afetivos extraconjugais. 

Isto se deve, em grande parte, à tendência moderna de encarar o amor não mais como um princípio alterocêntrico (centralizado nos outros) e sim como um mero sentimento egocêntrico (centralizado no próprio eu).

De acordo com as Escrituras, o casamento é um compromisso vitalício e indissolúvel (ver Mateus 19:6), que não pode ser desfeito, exceto pela morte (ver I Coríntios 7:8, 9 e 39) ou pelo adultério (ver Mateus 19:3-9) de um dos cônjuges. Somente quando um dos consortes morre ou adultera é que o outro fica livre para contrair novas núpcias, se assim o desejar. 

São de Cristo as palavras: “quem repudiar sua mulher, não sendo por relações sexuais ilícitas [da parte dela], e casar com outra comete adultério e o que casar com a repudiada comete adultério” (Mateus 19:9; ver também Marcos 10:11 e 12).

Todo relacionamento sexual extra-conjugal é condenado pelo sétimo mandamento do Décalogo, que ordena: “Não adulterarás” (Êxodo 20:14; ver também Mateus 5:27-32). João Batista foi claro e incisivo em sua desaprovação ao relacionamento extraconjugal de Herodes Antipas com Herodias (ver Mateus 14:1-12; Marcos 6:14-29; Lucas 3:18-20). Em nenhum momento João sancionou a idéia de que Herodes poderia separar-se de sua primeira esposa para casar com Herodias, com a qual ele já convivia.

O conceito bíblico é que marido e esposa se tornam, através do casamento, “uma só carne” (Gênesis 2:24) e que esta união não pode ser desfeita por vontade humana (ver Mateus 19:6). Paulo afirma em I Coríntios 7:10 e 11 que os casados não devem se separar. 

Se todavia o fizerem, que procurem logo se reconciliar. Caso essa reconciliação não seja mais viável, que permaneçam então sozinhos. Fica evidente, portanto, que não é a mera obtenção de um divórcio legal que desfaz os laços vitalícios do matrimônio.

A maioria das separações matrimoniais gera nos cônjuges um senso de fracasso pela incapacidade de superar o problema. Muitos dos casais que alegam possuir pleno direito de se divorciarem esquecem que, com essa atitude, estão tolhendo o direito de seus filhos de terem uma família bem estruturada. 

Bom seria se todos os casais infelizes no matrimônio lessem, antes de qualquer decisão extrema, os conselhos bíblicos encontrados em Provérbios 15:1, Mateus 5:38-48 e I Coríntios 13.

Fonte: Sinais dos Tempos, fevereiro de 1998. p. 29 (usado com permissão)


O que Jesus quis dizer em Lucas 16:9 (“Granjeai amigos com as riquezas da injustiça...”)?

por Alberto R. Timm

Em Lucas 16:1-8, aparece o relato da parábola de um homem rico que possuía um administrador infiel. Ameaçado de ser demitido de sua posição, esse administrador chama “cada um dos devedores do seu senhor” e lhes diminui indevidamente as respectivas dívidas.

Por este meio ele procurou conquistar a amizade dos devedores, para que no futuro, ao ser ele efetivamente demitido, estes o recebessem “em suas casas” (verso 4). Iniciando a aplicação da parábola, Cristo afirmou: “E eu vos recomendo: das riquezas de origem iníqua fazei amigos; para que, quando aquelas vos faltarem, esses amigos vos recebam nos tabernáculos eternos” (verso 9).

Uma análise do contexto desta passagem esclarece o fato de que Cristo não está estimulando aqui o suborno ou a aplicação indevida dos recursos financeiros, pois logo no verso 11 Ele mesmo incentiva a fidelidade “na aplicação das riquezas de origem injusta”. 

As “riquezas” são consideradas como de “origem iníqua” ou “injusta” devido ao seu acúmulo ocorrer quase sempre em detrimento dos menos favorecidos (ver Tiago 5:1-6). 

O fazer “amigos” com essas riquezas significa desprender-se delas, com o propósito de usá-las em benefício dos pobres (ver Lucas 12:33-34). Um claro contraste é feito entre a transitoriedade do acúmulo de riquezas terrestres, que perderão finalmente seu valor, e a perpetuidade que resulta de sua devida aplicação.

A generosidade para com os necessitados é considerada não como um mérito à salvação, mas apenas como “um teste de caráter” (Jamieson, Fausset e Brawn). Ajudando aos necessitados, estaremos rompendo com nossos próprios interesses egoístas, para acumular “tesouros no Céu” (Mateus 6:19-21; Lucas 12:33-34). 

O maior tesouro é, sem dúvida, a salvação eterna, pela graça de Cristo (Efésios 2:8-10), daqueles que são levados a glorificar a Deus por nossas boas obras de generosidade (ver Mateus 5:16). Estes tesouros vivos são vistos metaforicamente, no texto sob consideração, como estendendo as futuras boas-vindas aos “tabernáculos eternos” àqueles que foram generosos para com eles nesta vida (ver Mateus 25:31-46).

Uma vez que Lucas 16:9 é parte da aplicação da parábola do administrador infiel (versos 1-8), a mensagem básica do texto pode ser bem sumarizada na seguinte paráfrase de Jack Blanco: “Vocês deveriam estar tão determinados a assegurar o seu futuro no Céu como esse administrador esteve em assegurar o seu futuro na Terra” (The Clear Word).

Fonte: Sinais dos Tempos, fevereiro de 1998. p. 29 (usado com permissão)


Qual o significado dos “sábados” mencionados em Colossenses 2:16-17?

por Alberto R. Timm

Em Colossenses 2:14-17, Paulo está falando das “ordenanças” cerimoniais do Antigo Testamento que cessaram com a morte de Cristo na cruz (verso 14). O verso 17 descreve essas ordenanças como “sombras” de um “corpo” que é Cristo, e Hebreus 8:5 fala do próprio sacerdócio que as oficiava como “figura e sombra das coisas celestiais”. 

Qualificando esses “sábados” como sombras “das coisas que haviam de vir” (versos 16-17), Paulo os distingue do sábado semanal, que é um memorial da criação (ver Gênesis 2:1-3; Êxodo 20:8-11; 31:16-17; Hebreus 4:4, 9-11), para identificá-los com os sábados anuais de Israel (ver Levítico 23:4-44), que prefiguravam a redenção em Cristo.

A declaração “ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados” (Colossenses 2:16) é semelhante à de Oséias 2:11: “Farei cessar todo o seu gozo, as suas Festas de Lua Nova, os seus sábados e todas as suas solenidades.” 

As expressões “seus sábados” e “vossos sábados” (em contraste com “Meus sábados” e o “sábado do Senhor”) referem-se nas Escrituras geralmente ao ano sabático de descanso da terra (Levítico 25:1-7; 26:34-35; 43; II Crônicas 36:21) ou às santas convocações anuais dos israelitas, também denominadas de sábados (Levítico 23:27 e 32). 

Esses sábados cerimoniais cessaram com a morte de Cristo (Colossenses 2:14-17), enquanto o sábado semanal continua vigente durante a “nova aliança” (Jeremias 31:31-33; Isaías 56:1-7; Hebreus 4:9-11).

Cremos, portanto, que os autores batistas Jamieson, Fausset e Brown estão corretos ao interpretarem Colossenses 2:16 nos seguintes termos: “SÁBADOS (não “os sábados”) do Dia da Expiação e da Festa dos Tabernáculos chegaram ao fim com os serviços judaicos aos quais pertenciam (Levítico 23:32, 37-39). 

O sábado semanal repousa sobre um fundamento mais permanente, havendo sido instituído no Paraíso para comemorar o término da criação em seis dias. Levíticos 23:38 distingue claramente ‘o sábado do Senhor’ dos demais sábados.”

Fonte: Sinais dos Tempos, março de 1998. p. 29 (usado com permissão)

Quem mudou o dia do Senhor do sábado para o domingo?

por Alberto R. Timm

Uma das teorias mais usadas para justificar a mudança do sábado para o domingo é a de que o sábado foi abolido na cruz e o domingo instituído em seu lugar através da ressurreição de Cristo. Por mais popular que seja, esta teoria carece de fundamentação bíblica e de comprovação histórica. 

O texto de João 20:19, normalmente usado para apoiar a teoria, simplesmente declara que os discípulos estavam reunidos, com “as portas da casa” trancadas, por “medo dos judeus”, sem qualquer alusão ao domingo como um novo dia de guarda. Além disso, a primeira evidência histórica concreta sobre a existência de cristãos observadores do domingo é encontrada somente na metade do segundo século de nossa era.

A tese doutoral de Samuele Bacchiocchi, intitulada From Sabbath to Sunday: A Historical Investigation of the Rise of Sunday Observance in Early Christianity (Roma: Pontifical Gregorian University Press, 1977), demonstra “que a adoção do domingo em lugar do sábado não ocorreu na primitiva Igreja de Jerusalém, por virtude de autoridade apostólica, mas aproximadamente um século depois na Igreja de Roma”.

Sob a influência cultural paganizadora do Império Romano, o cristianismo dos primeiros séculos acabou absorvendo vários elementos de origem pagã, dentre os quais se destaca o culto ao Sol de origem persa (mitraísmo). 

Os mitraístas romanos veneravam o Sol Invictus cada domingo e celebravam anualmente o seu nascimento no dia de 25 de dezembro. Tentando harmonizar alegoricamente o Sol Invictus com o “sol da justiça” do cristianismo (Malaquias 4:2; João 8:12), muitos cristãos começaram a adorar a Cristo no domingo como “dia do Sol” (Sunday em inglês e Sonntag em alemão), com o duplo propósito de se distanciarem do judaísmo perseguido pelos romanos e de se tornarem mais aceitos dentro do próprio Império Romano.

Mas o que parecia inicialmente apenas um sincretismo religioso começou a assumir um caráter institucional. A 7 de março de 321 d.C., o imperador Constantino, um devoto adorador de Mitra, decretou “que todos os juízes, e todos os habitantes da cidade, e todos os mercadores e artifíces descansem no venerável dia do Sol”. 

Esse decreto foi seguido por várias medidas eclesiásticas para legalizar a observância do domingo como dia de guarda para os cristãos. O próprio Catecismo Romano, 2ª ed. (Petrópolis, RJ: Vozes, 1962), p. 376, reconhece a atuação da Igreja Católica nesse processo, ao declarar: “A Igreja de Deus, porém, achou conveniente transferir para o domingo a solene celebração do sábado.”

Por mais atraentes e populares que sejam algumas teorias sobre a origem da observância do domingo, não podemos impor ao texto bíblico interpretações artificiais e desenvolvimentos históricos que só ocorreram após o período bíblico. Para sermos honestos com a Palavra de Deus, precisamos permitir que ela mesma nos diga qual o verdadeiro dia de guarda do cristão (ver Gálatas 1:8; Apocalipse 22:18 e 19).

Fonte: Sinais dos Tempos, março de 1998. p. 29 (usado com permissão)


Se o arrependimento é derivado de um ato mau e Deus conhece o fim desde o princípio, como explicar o fato de Deus haver Se arrependido (Gênesis 6:6 e 7)?

por Alberto R. Timm

A mesma palavra “arrependimento” (derivada do latim repoenitere) é usada nas traduções da Bíblia para designar tanto comportamentos humanos como atitudes divinas que são distintos em natureza, e que foram expressos por palavras diferentes nas línguas originais das Escrituras. 

O genuíno arrependimento humano para a salvação é descrito pelos termos hebraico shubh e gregos metanoeo (verbo) e metanoia (substantivo), que denotam uma mudança de mente, envolvendo tristeza, completo abandono do pecado e um sincero retorno a Deus.

Já o arrependimento divino é expresso através das palavras hebraica naham e grega metamelomai, que não sugerem qualquer mudança intrínseca na mente de Deus, “em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tiago 1:17), mas apenas uma alteração em Sua atitude para as criaturas. 

Essa alteração é decorrente de uma mudança radical no comportamento humano, que acaba impedindo o recebimento por parte dos seres humanos de uma bênção divina que lhes fora prometida ou de um castigo divino que lhes deveria sobrevir.

O próprio Deus advertiu o Seu povo da condicionalidade de Suas bênçãos e de Seus castigos em Jeremias 18:7-10: “No momento em que Eu falar acerca de uma nação ou de um reino para o arrancar, derribar e destruir, se tal nação se converter da maldade contra a qual Eu falei, também Eu me arrependerei do mal que pensava em fazer-lhe. 

E, no momento em que um falar acerca de uma nação ou de um reino para o edificar e plantar, se ele fizer o que é mal perante Mim e não der ouvidos à Minha voz, então, Me arrependerei do bem que houvera dito lhe faria.”

Esse princípio é claramente ilustrado na experiência dos antediluvianos e dos ninivitas. Em Gênesis 6:6 e 7 é dito que Deus “Se arrependeu” de ter criado a raça humana, não porque Ele houvesse mudado, mas porque os antediluvianos se haviam degenerado a tal ponto que a única solução para eles seria a sua destruição (ver Gênesis 6:5). 

Por semelhante modo, Jonas 3:10 diz que “Deus Se arrependeu do mal que tinha dito” trazer aos ninivitas, não porque Ele houvesse mudado, mas porque estes se converteram completamente de seus maus caminhos (ver Jonas 3:5-9).

Por outro lado, quando a Bíblia diz que Deus não é homem para que Se arrependa (ver Números 23:19; I Samuel 15:29; Salmo 110:4; Hebreus 6:17), ela está descartando a possibilidade de haver qualquer mudança intrínseca na pessoa de Deus, que O levasse a ser injusto e desleal em Seu relacionamento com os seres humanos (ver Deuteronômio 7:9 e 10). 

Em outras palavras, Deus é fiel e justo, e jamais deixará de recompensar as boas ações e de punir os maus atos, bem como de reconhecer todas as possíveis mudanças no comportamento humano.

Fonte: Sinais dos Tempos, abril de 1998. p. 29 (usado com permissão)


Por que Jesus disse “o Pai é maior do que Eu” (João 14:28)?

por Alberto R. Timm

Essa e outras declarações que falam da subordinação de Cristo ao Pai referem-se à condição de Cristo durante a encarnação, e não à Sua natureza divina como contrastando com a do Pai. 

Em Filipenses 2:5-11, Paulo declara (1) que antes da encarnação Cristo possuía a mesma “forma de Deus” e era “igual a Deus” (verso 6); (2) que durante a encarnação Ele “Se esvaziou” e “Se humilhou”, “assumindo a forma de servo” (versos 7-8); e (3) que após a encarnação Ele reassumiu todo o Seu status original de igualdade com o Pai (versos 9-11).

Cristo destacou várias vezes, durante Seu ministério terrestre, Sua posição de igualdade com o Pai. De acordo com a compreensão oriental, ao Cristo afirmar que “Deus era seu Próprio Pai”, Ele estava fazendo-Se “igual a Deus” (João 5:18). 

Cristo também disse: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30). Em outra ocasião Ele chegou mesmo a reivindicar para Si o título sagrado “EU SOU” (João 8:58), usado no Antigo Testamento para designar a Deus (ver Êxodo 3:14).

Durante Sua encarnação, Cristo viveu como homem entre os homens, deixando-nos um exemplo de perfeita dependência do Pai (I Pedro 2:21). Nessa condição Ele não apenas declarou que “o Pai é maior do que Eu” (João 14:28) e que “o Filho nada pode fazer de Si mesmo” (João 5:19), mas também pôs-Se de joelhos e orou ao Pai (Lucas 22:41-42). Não podemos, no entanto, usar essas declarações para tentar justificar a falsa teoria de que Cristo é de alguma forma inferior ao Pai.

O Novo Testamento é claro em afirmar que Cristo é verdadeiramente Deus (João 1:1; 20:28; Tito 2:13; Hebreus 1:8; II Pedro 1:1) e que nEle “habita corporalmente toda a plenitude da Divindade” (Colossenses 2:9). Paulo jamais poderia ter falado de Cristo como possuindo “toda a plenitude da Divindade” se Ele não fosse coeterno com o Pai e da mesma essência que Ele.

Fonte: Sinais dos Tempos, abril de 1998. p. 29 (usado com permissão)


Como podemos entender Mateus 15:10-20? Ali é dito que “não é o que entra pela boca o que contamina o homem” (verso 11)

por Alberto R. Timm

Não é necessário ser um perito em exegese bíblica para perceber que Cristo está Se referindo aqui não à contaminação física e sim à contaminação espiritual do homem. 

Se realmente pudéssemos ingerir qualquer coisa, sem que isso prejudicasse o nosso organismo, então não haveria mais necessidade de conhecermos os princípios básicos de nutrição e higiene, de procurarmos consumir apenas os alimentos da melhor qualidade e de advertirmos os jovens a respeito dos malefícios das drogas.

Para compreendermos a declaração de Mateus 15:11, precisamos levar em consideração o fato de que ela foi proferida por Cristo em resposta à acusação dos “fariseus e escribas”, de que os discípulos transgrediam “a tradição dos anciãos”, ao comerem sem antes lavar as mãos (versos 1 e 2). 

Esse ato de lavar ritualmente as mãos não era motivado por razões de higiene, mas para evitar a contaminação religiosa. Mesmo destituído de qualquer fundamentação bíblica, o rito era considerado pelos fariseus tão normativo como a própria lei mosaica.

Tentando romper com essa tradição infundada, Cristo declarou que a contaminação religiosa do ser humano não reside na prática de ritos exteriores, mas na degradação interior do coração que se manifesta exteriormente. 

Ele esclarece: “Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. São estas as coisas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos não o contamina” (Mateus 15:19 e 20; ver também 23:1-39). 

Em outras palavras, Cristo deixou claro “que o mal que sai da boca é muito maior do que qualquer mal que possa entrar nela quando se come alimento ritualmente impuro” (R.V.G. Tasker).

O mesmo incidente de Mateus 15:1-20 é também registrado em Marcos 7:1-23, com o acréscimo das palavras: “E, assim, considerou ele puros todos os alimentos” (verso 19). É importante notarmos que, mesmo nesta afirmação, Cristo não está dizendo que todas as coisas, quer animais ou vegetais, são puras e apropriadas para a alimentação. 

O que o texto está enfatizando é simplesmente o fato de que todas as coisas divinamente criadas com o propósito de servirem como alimento aos seres humanos são apropriadas, independente da falsa contaminação a elas atribuídas pelas tradições farisaicas sobre o lavar ritual das mãos antes das refeições.

Fonte: Sinais dos Tempos, maio de 1998. p. 29 (usado com permissão)


Gostaria de saber se em I Timóteo 4:1-5 Paulo não estaria ordenando os cristãos a comerem de tudo.

por Alberto R. Timm

O texto de I Timóteo 4:1-5 fala da apostasia dos “últimos tempos”, quando falsos mestres propagariam “ensinos de demônios”, proibindo “o casamento” e exigindo a “abstinência de alimentos, que Deus criou para serem recebidos, com ações de graça, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade”. 

A isso é acrescentado: “pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ação de graças, nada é recusável, porque, pela Palavra de Deus e pela oração, é santificado”.

Algumas pessoas têm sugerido, equivocadamente, que nesse texto Paulo esteja eliminando todas as distinções entre alimentos “limpos” e “imundos” do Antigo Testamento (ver Levítico 11), e que os cristãos do Novo Testamento têm hoje plena liberdade de comer, sem quaisquer restrições, de “tudo que Deus criou”. 

Ora, se esse fosse o caso, então estaríamos justificados em comer até mesmo a carne de outros seres humanos, também criados por Deus (Gênesis 1:26 e 27), o que é completamente inaceitável.

Abalizados comentaristas bíblicos têm reconhecido que a discussão de Paulo em I Timóteo 4:1-5 diz respeito a certas proibições alimentares antibíblicas, propagadas pelos gnósticos do 1º século d.C. 

Os adeptos do gnosticismo criam que a matéria fora criada não por Deus, mas por uma divindade inferior (Demiurgo), sendo má em sua essência. Abstendo-se de relações sexuais e de certos alimentos “materiais” (especialmente de toda espécie de carne), criam que estavam dando provas de uma mais profunda espiritualidade, que levaria a alma a libertar-se futuramente de tudo o que é material.

Paulo contesta essa dicotomia gnóstica, ao afirmar que os verdadeiros “alimentos” foram criados pelo próprio Deus (e não por uma divindade inferior), sendo conseqüentemente bons e apropriados para o consumo. 

Portanto, o texto sob discussão não está dizendo que podemos comer de tudo o que Deus criou (alimentos e não alimentos), mas apenas de tudo aquilo que Ele criou com o propósito específico de servir como alimento.

Fonte: Sinais dos Tempos, maio de 1998. p. 29 (usado com permissão)


Quem são os “filhos de Deus” em Gênesis 6:2?

por Alberto R. Timm

Os comentaristas bíblicos têm proposto pelo menos três interpretações diferentes para as expressões “filhos de Deus” e “filhas dos homens” em Gênesis 6:2. Alguns identificam, com base em uma antiga tradição rabínica, os “filhos de Deus” como anjos, e as “filhas dos homens” como mulheres em geral. 

Embora as Escrituras se refiram algumas vezes aos seres celestiais como “filhos de Deus” (Jó 1:6; 2:1; 38:7), isso não significa que este seja o caso em Gênesis 6:2, pois no mesmo contexto é dito também que as “filhas dos homens” tiveram filhos através de relações sexuais com esses “filhos de Deus” (Gênesis 6:4). 

Seria irônico admitir que anjos mantiveram relações sexuais com mulheres, uma vez que o próprio Cristo declarou que eles não “casam, nem se dão em casamento” (Mateus 22:30; Marcos 12:25; Lucas 20:34-36).

Outros comentaristas procuram evitar as dificuldades da teoria anterior interpretando a expressão “filhos de Deus” como uma referência a filhos de príncipes, e a expressão “filhas dos homens” como uma alusão a mulheres das classes sociais inferiores. 

Mesmo que o rei Davi (II Samuel 7:14) e os juízes do povo de Deus (Salmo 82:6) sejam reconhecidos como filhos de Deus, não existe qualquer base bíblica para alegar que as expressões de Gênesis 6:2 surgiram uma distinção de castas sociais entre nobres e plebeus.

Uma terceira interpretação, bem mais coerente com o consenso das Escrituras, reconhece como “filhos de Deus”, em Gênesis 6, os descendentes de Sete, que eram homens tementes a Deus (Gênesis 4:25; 5:32); e como “filhas dos homens”, as mulheres incrédulas da linhagem de Caim (Gênesis 4:1-24). 

Tal união de crentes com descrentes é considerada, nesse contexto, como uma evidência de apostasia do povo de Deus (Gênesis 6:1-7). Esse mesmo tipo de união continuou sendo desaprovado tanto no Velho Testamento (ver Êxodo 34:15 e 16; Deuteronômio 7:1-4) como no Novo Testamento (ver II Coríntios 6:14 e 15). 

Concordamos, portanto, com os comentaristas que vêem os “filhos de Deus” em Gênesis 6:2 como meros seres humanos tementes a Deus (contrastar com Gálatas 3:26; Efésios 2:19; I João 3:1).

Fonte: Sinais dos Tempos, junho de 1998. p. 29 (usado com permissão)


Se todos os crentes são, de acordo com as Escrituras, ministros do Senhor, não deveriam todos ter a liberdade de ministrar a Palavra e de oficiar o rito do batismo? (Mateus 28:18-20)

por Alberto R. Timm

O relacionamento entre o clero e os leigos foi desequilibrado por duas distorções opostas que emergiram no meio do cristianismo. A primeira foi a super ênfase do catolicismo medieval sobre as funções sacerdotais, que acabou enaltecendo o clero em detrimento dos leigos. 

A segunda foi a tentativa anabatista, no século 16, de eliminar toda e qualquer distinção entre clérigos e leigos, obliterando assim as funções eclesiásticas. O equilíbrio entre esses dois extremos foi mantido por Lutero, que restaurou o conceito bíblico do “sacerdócio universal” de todos os crentes, sem abolir as funções sacerdotais exercidas por alguns crentes escolhidos especificamente para tais funções.

Rompendo com os dogmas católicos da confissão auricular e da mediação dos santos, Lutero ensinava que todos os crentes tinham pleno direito (1) de orar diretamente ao Pai por meio de Jesus Cristo (João 14:6; I Timóteo 2:5) e (2) de testemunhar a outros as boas-novas da salvação (Atos 1:8). 

Mas esse “sacerdócio universal” não eliminava a necessidade de um bem-organizado ofício ministerial; pois, de acordo com Lutero, “o povo não pode fazê-lo como um todo, mas tem que delegá-lo a uma pessoa ou deixá-lo aos cuidados de alguém. Do contrário, que aconteceria se cada qual quisesse falar e administrar [o sacramento], e ninguém quisesse ceder ao outro?” (Martinho Lutero: Obras Selecionadas, vol. 3, p. 413).

A importância do ofício dentro da comunidade dos crentes é enfatizada tanto no Antigo Testamento, por meio da instituição do sacerdócio levítico (Êxodo 28), como no Novo Testamento, através do ensino apostólico. Paulo é claro em afirmar que o próprio Cristo 

“concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo” (Efésios 4:11 e 12). 

Isso significa que nem todos são chamados a exercer as mesmas funções dentro da igreja.

Além disso, o Novo Testamento atesta que o rito do batismo não era oficiado por todos os crentes da igreja primitiva. Por exemplo, o batismo de arrependimento que preparava o caminho do Messias era ministrado especificamente por João Batista (Mateus 3; João 1:19-34). Aqueles que aceitavam o evangelho, durante o ministério de Cristo, eram batizados pelos “Seus discípulos” (João 4:1 e 2). Já o livro de Atos revela que, após a ascensão de Cristo, esse rito era oficiado pelos apóstolos e por outros líderes da igreja (ver Atos 2:38-41; 8:12, 35-39; 9:18; 10:44-48; 16:14 e 15, 30-34; 18:8).

Embora o imperativo de ir e fazer “discípulos de todas as nações, batizando-os...” (Mateus 28:19) fosse dado originalmente aos “onze discípulos” (versos 16 e 18), cremos que ele se aplica a todos os cristãos, de todas as épocas e lugares. Todos os crentes têm, portanto, a solene responsabilidade de testemunhar do evangelho aos descrentes, incentivando-os a uma experiência genuína com Cristo que culmine com o batismo. 

Isso não significa que todo crente deva oficiar pessoalmente o batismo de seus conversos; pois essa cerimônia deve ser ministrada apenas por aqueles que foram escolhidos dentro da comunidade dos crentes, como ministros do evangelho, para esse ofício.
Fonte: Sinais dos Tempos, junho de 1998. p. 29 (usado com permissão)


Que relação existe entre o cálculo judaico de 5.758 anos para a história da Terra (até 1998) e a teoria dos seis mil anos para o fim do mundo?

por Alberto R. Timm

Sobre o verbete “Chronology”, a Encyclopaedia Judaica explica que o método judaico de calcular os anos a partir da criação do mundo (Anno Mundi) tornou-se de uso popular cerca do nono século d.C. “Em vários cômputos rabínicos a ‘Era da Criação’ iniciou em um dos anos entre 3762 e 3758 a.C. 

A partir do século 12 d.C., porém, passou a ser aceito que a ‘Era da Criação’ começou em 3761 a.C. (para ser exato, no dia 7 de outubro daquele ano). Esse cômputo é baseado em sincronismos de elementos cronológicos mencionados na Bíblia e em cálculos encontrados na antiga literatura judaica pós-bíblica.”

Por sua vez, a teoria de que a história do mundo se limita a seis mil anos de pecado, seguidos de um milênio sabático, está baseada na inferência de que cada um dos seis primeiros dias da semana da Criação (Gênesis 1) representa mil anos (ver II Pedro 3:8). E, além disso, que o sétimo dia (Gênesis 2:1-3) simboliza esse sétimo milênio (ver Apocalipse 20). 

A interpretação de cada dia da Criação como mil anos apareceu pela primeira vez na literatura judaica no livro pseudoepígrafo de II Enoque 33:1 e 2, popularizando-se posteriormente entre vários intérpretes judeus e cristãos preocupados com o fim do mundo.

Se o ano da criação da Terra fosse mesmo 3761 a.C., com duração de apenas seis mil anos, então o seu fim haveria de ocorrer aproximadamente no ano 2240 de nossa era. Mas tal cálculo especulativo não é aceitável, pois as genealogias do Antigo Testamento requerem, pelo menos, quatro mil anos da Criação ao nascimento de Cristo, para serem sincronizadas. 

Além disso, estudos, que procuram harmonizar cronologicamente a história bíblica de outros povos do mundo antigo, têm proposto mais de quatro mil anos da Criação ao nascimento de Cristo.

Mesmo que aceitássemos a curta cronologia do arcebispo anglicano James Ussher (1581-1656), que estabelece arbitrariamente a Criação como havendo ocorrido no ano 4004 a.C. (quatro mil anos antes do nascimento de Cristo), teríamos sérias dificuldades, pois, nesse caso, os seis mil anos deveriam ter-se cumprido em 1997. Mas o mundo não chegou ao fim nesse ano!

Sabemos, pelos sinais que Cristo nos deixou (ver Mateus 24; Lucas 21), que o fim de todas as coisas está próximo. Não devemos nos esquecer, no entanto, da referência à tardança relacionada com o tempo em que a segunda vinda de Cristo há de acontecer (ver Mateus 25:5), bem como das várias advertências de que não nos compete especular quanto ao tempo específico em que esse evento há de ocorrer (ver Mateus 24:36, 42; Atos 1:7).

Fonte: Sinais dos Tempos, julho de 1998. p. 29 (usado com permissão)


Quem são os 144 mil de Apocalipse 14?

por Alberto R. Timm

Em Apocalipse 14 encontramos uma estrutura proléptica, na qual primeiro é descrito o grupo dos 144 mil (versos 1-5), para então serem mencionadas as três mensagens angélicas responsáveis pela origem desse grupo (versos 6-12). 

Tanto a proclamação das mensagens quanto a formação do grupo são descritas como ocorrendo no período final da história humana, que antecede a segunda vinda de Cristo e o juízo final (versos 14-20).

Nesse contexto, os 144 mil aparecem como a última geração dos verdadeiros adoradores de Deus (verso 7), que “guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus” (verso 12), em contraste com aqueles que adoram “a besta e a sua imagem” e recebem “a sua marca na fronte ou sobre a mão” (versos 9-11).

O fato de Apocalipse 7:1-8 mencionar o mesmo grupo de 144 mil como sendo formado “de todas as tribos dos filhos de Israel” (verso 4) tem levado alguns comentaristas a sugerir que esse grupo será formado por judeus literais, em cumprimento a certas promessas do Antigo Testamento para com a nação de Israel. 

Essa interpretação carece, no entanto, de base bíblica e de fundamentação histórica, pois 

(1) as tribos mencionadas em Apocalipse 7:1-8 não são exatamente as mesmas que aparecem na promessa de Ezequiel 48:1-8, 23-29 (ver também Gênesis 49:1-28); 

(2) seria praticamente impossível reunir ainda hoje “doze mil pessoas de cada tribo de Israel, uma vez que tais distinções tribais desapareceram quase que em sua totalidade, devido à deportação compulsória e miscigenação das tribos do norte (ver II Reis 17); e 

(3) no Novo Testamento a salvação “em Cristo” desfaz toda e qualquer distinção étnica (ver Gálatas 3:26-29). 

Diante disso, somos levados à conclusão de que os 144 mil serão formados pela última geração do povo remanescente de Deus, também chamado de Israel espiritual (ver Romanos 9:6-8; I Pedro 2:9 e 10).

Uma vez que as doze tribos de Apocalipse 7 devem ser interpretadas simbolicamente, surge a indagação: podemos entender o seu número como literal? Embora alguns comentaristas o façam, existe uma forte tendência de ver nessa multiplicação de 12 vezes 12.000 (= 144.000) apenas um símbolo da totalidade de componentes da última geração dos salvos que estarão vivos por ocasião da volta de Cristo.

Fonte: Sinais dos Tempos, julho de 1998. p. 29 (usado com permissão)


Quem é o “arcanjo Miguel” mencionado em Judas 9?

por Alberto R. Timm

Muita especulação surgiu através dos tempos, nas tradições judaica e cristã, sobre a natureza e obra dos anjos, bem como sobre a identificação do arcanjo Miguel. Na literatura pseudo-epígrafa, por exemplo, Miguel é apresentado como um dos sete arcanjos celestiais (I Enoque 20:1-7; 81:5; 90:21-22; Tobias 12:15), e um dos quatro que se encontram mais próximos do trono de Deus (I Enoque 9:1; 40:1-10; 54:6; 71:8, 9 e 13). 

Essas tradições extrabíblicas têm sido usadas por muitos comentaristas contemporâneos para alegar que Miguel é apenas um anjo, criado por Deus, que exerce a função de principal líder das hostes angélicas.

Nas Escrituras, Miguel, cujo nome significa “Quem é como Deus?”, é descrito como “arcanjo” (Judas 9), o líder das hostes angélicas no conflito com Satanás e os anjos maus (Apocalipse 12:7), “um dos primeiros príncipes” (Daniel 10:13), “vosso príncipe” (Daniel 10:21) e “o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo” (Daniel 12:1). 

Uma análise detida dessas expressões dentro do contexto bíblico deixa claro que Miguel é apresentado no texto sagrado como um Ser divino, cujas características refletem a glória messiânica do Antigo Testamento.

Miguel é apresentado em Judas 9 como o “arcanjo” que, na disputa “a respeito do corpo de Moisés” (Deuteronômio 34:5 e 6), enfrentou o diabo com as palavras: “O Senhor te repreenda!” Essa alusão identifica Miguel como o “Anjo do Senhor” que, na contenda sobre o “sumo sacerdote Josué”, disse igualmente ao diabo: “O Senhor te repreenda, ó Satanás” (Zacarias 3:1 e 2). 

É interessante notarmos que, tanto em Zacarias 3 como em Gênesis 22:11-18; Juízes 6:11-24; 13:2-22 e Atos 7:30-33 e 38, o Anjo do Senhor é identificado como sendo o próprio Senhor!

Em Apocalipse 12:7, Miguel e Satanás são apresentados em direto antagonismo, num conflito cósmico que se originou no Céu, e que se estende ao longo da história humana (Apocalipse 12:1-17; 20:1-10). 

O Novo Testamento esclarece que esse conflito se polariza entre Cristo e Seus seguidores e Satanás e seus adeptos (ver Mateus 4:1-11; João 12:31 e 32; 14:30; Efésios 6:10-20; Colossenses 1:13 e 14; etc.).

Já em Daniel 10:13 e 21; 12:1, Miguel é chamado de “príncipe” e “o grande príncipe”. Em todo o restante das Escrituras, quando não aplicado a seres humanos, o título “príncipe” é usado exclusivamente para Cristo (Josué 5:14 e 15; Isaías 9:6; Daniel 8:11 e 25; 9:25; Atos 5:31) ou para Satanás (João 12:31; 14:30; 16:11; Efésios 2:12), mas nunca para qualquer outro ser angelical. 

Em Josué 5:14 e 15, o Senhor Se apresentou a Josué como o “príncipe do exército do Senhor”, aceitando adoração, o que seria uma blasfêmia se esse príncipe fosse apenas um anjo (ver Mateus 4:10; Apocalipse 22:8 e 9), e ordenando que Josué tirasse as suas sandálias porque o lugar se tornara santo (ver Êxodo 3:4-6; Atos 7:30-33). No próprio livro de Daniel, Cristo é chamado também de “príncipe do exército” (Daniel 8:11) e “Princípe dos Princípes” (Daniel 8:25).

Uma das características básicas do conteúdo profético do livro de Daniel é a “repetição para ampliação”. Cada uma das quatro grandes seções proféticas do livro emprega símbolos diferentes para descrever a mesma seqüência profética, culminando sempre com a manifestação gloriosa de Cristo para a implantação do Seu reino eterno. 

Essa manifestação de Cristo é simbolizada em Daniel 2, pela pedra cortada sem auxílio de mãos (versos 34 e 35; 44 e 45; comparar com Atos 4:11; Efésios 2:20; I Pedro 2:4-8); em Daniel 7, pelo aparecimento do Filho do Homem (verso 13; comparar com Mateus 16:27; 24-27 e 30; 25:31 e 32; etc.); em Daniel 8, pelo surgimento do Príncipe dos Príncipes (verso 25; comparar com Apocalipse 19:11-21); e, finalmente, em Daniel 10-12, pela vinda de “Miguel, o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo” (capítulo 12:1; comparar com Salmo 91). Alegar que Miguel seja um simples anjo significa quebrar o paralelismo estrutural do livro.

Fundamentados nas semelhanças que a Bíblia apresenta entre as características da missão do Arcanjo Miguel com as de Cristo, podemos concordar com outros comentaristas, como João Calvino e Matthew Henry, que identificam Miguel como Cristo e não um simples anjo (ou um ser criado).

Fonte: Sinais dos Tempos, agosto de 1998. p. 29 (usado com permissão)

Qual foi o “sinal” que Deus colocou em Caim (Gênesis 4:15)


por Alberto R. Timm

Algumas pessoas têm sugerido, especulativamente, que o sinal que Deus colocou em Caim foi a cor negra, que acabou dando origem ao povo africano. Essa teoria, porém, é completamente destituída de fundamentação bíblica e de comprovação histórica. 

Para entendermos melhor o assunto, devemos reconhecer, em primeiro lugar, que esse sinal não foi um sinal de maldição, mas de proteção. Foi somente depois de amaldiçoado pelo assassinato de seu irmão Abel (Gênesis 4:8-12) que Caim recebeu de Deus sinal, “para que o não ferisse de morte quem quer que o encontrasse” (Gênesis 4:15). 

Devemos lembrar também que a raça humana pós-diluviana derivou dos três filhos de Noé (Gênesis 7:13; 10:1-32), que eram descendentes de Sete (ver Gênesis 5) e não de Caim, o que elimina praticamente a possibilidade da perpetuação de qualquer característica genética de Caim.

Quer esse “sinal” (hebraico ‘oth) tenha sido realmente uma marca visível colocada sobre a pessoa de Caim, como querem alguns, ou apenas um sinal a ele mostrado como garantia de proteção, como sugerem outros, o certo é que não dispomos de informações suficientes para identificá-lo mais precisamente. 

Isso significa que toda e qualquer tentativa de uma identificação exata desse sinal não passa de mera conjectura artificialmente imposta ao texto bíblico.
Fonte: Sinais dos Tempos, agosto de 1998. p. 29 (usado com permissão)


Gostaria de saber se Jefté realmente sacrificou sua filha (Juízes 11:29-40)

por Alberto R. Timm

Existem duas teorias básicas a respeito do controvertido voto que Jefté fez no contexto de sua vitória sobre os amonitas (ver Juízes 11:29-40). Alguns comentaristas (A. Clarke, Keil-Delitzsch, G. L. Archer, J. J. Blanco, etc.) procuram inocentar a Jefté, afirmando que o cumprimento do seu voto não significou a morte de sua única filha, mas simplesmente a dedicação dela ao Senhor, como virgem, pelo resto de sua vida. Os defensores dessa posição argumentam: 

1) O fato de Jefté haver sido usado pelo “Espírito do Senhor” na batalha contra os amonitas o impediria de fazer um voto contrário à vontade de Deus (ver Deuteronômio 12:31; 18:9 e 10); 

2) A enunciação do voto em Juízes 11:31 sugere que se fosse um animal quem primeiro saísse da casa, este seria oferecido “em holocausto”, mas se fosse uma pessoa, esta seria simplesmente dedicada ao “Senhor” (ver Romanos 12:1); 

3) A expressão “jamais foi possuída por varão” (Juízes 11:39) significa que a filha de Jefté continuou vivendo como virgem; 4) Se Jefté a houvesse realmente sacrificado, o nome dele não apareceria entre os heróis da fé, em Hebreus 11:32.

Em contrapartida, autores como (Josefo, Lutero, Matthew Henry, Jemieson-Fausset-Brawn, A. C. Hervey, H. A. Hofner Jr., E. J. Hamlin, etc.) argumentam que a linguagem do próprio texto não deixa dúvidas de que Jefté realmente ofereceu sua filha em sacrifício. A favor dessa posição, pode-se mencionar: 

1) Jefté certamente estava familiarizado com a prática de sacrifícios humanos das nações circunvizinhas (ver Juízes 11:1-3, 24); 

2) O fato de haver sido usado pelo “Espírito do Senhor” na vitória sobre os amonitas não o tornou infalível em suas demais decisões; 

3) Juízes 11:31 sugere claramente que a pessoa que primeiro saísse da casa de Jefté seria dedicada ao Senhor “em holocausto”; 

4) A reação de Jefté em Juízes 11:35 seria exagerada se a questão envolvida fosse apenas a dedicação de sua filha em celibato ao Senhor; 

5) Não faria sentido chorar “a sua virgindade” por “dois meses” (Juízes 11:38) já que a moça continuaria virgem; 

6) O próprio texto declara que Jefté fez com sua filha “segundo o voto por ele proferido” (Juízes 11:39); 7) Os heróis da fé mencionados em Hebreus 11 não eram pessoas que nunca pecaram, e sim pessoas que alcançaram a vitória sobre os seus pecados (ver, por exemplo, Êxodo 2:11-15; Juízes 13:16; II Samuel 11:12).

Embora a questão permaneça aberta à discussão, parece que a posição de que o voto de Jefté foi um ato indevido e precipitado, que acabou custando a vida de sua filha, é a posição mais condizente com o relato bíblico do incidente.

Fonte: Sinais dos Tempos, setembro de 1998. p. 29 (usado com permissão)


O que a Bíblia diz sobre masturbação?

por Alberto R. Timm

A Bíblia não fala explicitamente sobre masturbação, mas apresenta vários princípios que nos ajudam na compreensão do assunto. Somos ensinados pela Palavra de Deus que o sexo, em vez de ser usufruído egoisticamente, deve ser compartilhado exclusivamente dentro do relacionamento matrimonial. 

O plano divino não é “que o homem esteja só” (Gênesis 2:18), mas que se realize sexualmente no casamento (ver Gênesis 2:24; Êxodo 20:14; Provérbios 5:18; 6:20-35; 7:1-27).

A despeito de ser encarada positivamente por muitos médicos e sexólogos contemporâneos, a masturbação é uma negação direta do princípio bíblico de que 

“a mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher” (I Coríntios 7:4). 

Além disso, ao se masturbar, a pessoa geralmente contempla fotos pornográficas ou imagina cenas eróticas, não condizentes com os elevados princípios de pureza moral e espiritual do cristianismo (ver I Pedro 2:11).

Cristo foi claro em afirmar que o adultério condenado pelas Escrituras (Êxodo 20:14) não se restringe meramente às relações sexuais fora do casamento, mas envolve também os próprios pensamentos imorais, “que contaminam o homem” (Mateus 15:19 e 20). 

Ele asseverou no Sermão do Monte: “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mateus 5:27 e 28). E no Salmo 24:3 e 4 lemos: “Quem subirá ao monte do Senhor? Quem há de permanecer no Seu santo lugar? O que é limpo de mãos e puro de coração...”

Apesar de não ser fácil romper com o vício da masturbação, a graça de Cristo é poderosa para nos dar a vitória sobre todo e qualquer hábito pecaminoso (ver I Coríntios 15:57; Filipenses 2:13; 4:7; I João 1:7-9) e para desenvolver em nossa vida o ideal divino enunciado nas seguintes palavras: 

“Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Filipenses 4:8).

Fonte: Sinais dos Tempos, setembro de 1998. p. 29 (usado com permissão)


Por que Jesus dizia às pessoas para não divulgarem os Seus milagres, como em Marcos 7:36?

por Alberto R. Timm

Os Evangelhos Sinóticos registram pelo menos seis ocasiões diferentes em que Cristo recomendou, durante o Seu ministério público na Galiléia e logo após o afastamento desse ministério, que Seus milagres não fossem propagados. Isso ocorreu em relação com: 

(1) a cura de um leproso (Mateus 8:4; Marcos 1:44; Lucas 5:14); 

(2) várias curas entre aqueles que O seguiam (Mateus 12:16); 

(3) a cura de dois cegos (Mateus 9:30); 

(4) a ressurreição da filha de Jairo (Marcos 5:43; Lucas 8:56); 

(5) a cura de um surdo e gago (Marcos 7:36); e 

(6) a cura de um cego em Betsaida (Marcos 8:26). Além disso, Jesus pediu também aos discípulos que não comentassem o evento da transfiguração (Mateus 17:9; Marcos 9:9). Mas nem todas essas recomendações foram devidamente acatadas (ver Mateus 9:31; Marcos 1:45; 7:36; Lucas 5:15).

Para entendermos esses reiterados pedidos de sigilo, devemos ter em mente, primeiro, que o âmago da missão de Cristo não era simplesmente aliviar o sofrimento físico da humanidade, mas salvar os seres humanos de seus pecados (Mateus 1:21). 

Se Cristo não freasse o entusiasmo popular pelas curas físicas, esse entusiasmo poderia ter desvirtuado ainda mais a opinião pública sobre o objetivo de Seu ministério (ver Marcos 1:45; João 6:14 e 15). 

Assim como muitos seguiram a Cristo apenas pelo pão e pelo peixe que haviam comido (ver João 6:26 e 27), outros poderiam acabar seguindo-O meramente em função do Seu poder curador.

Pedindo que algumas de Suas curas não fossem divulgadas, Cristo procurou evitar também que elas fossem exploradas preconceituosamente pelos líderes judaicos, em detrimento do Seu próprio ministério (ver João 7:1, 19, 25; 8:37 e 40). Foi, portanto, para minimizar esse preconceito e para corrigir as expectativas distorcidas para com o Seu ministério que Cristo solicitou que alguns de Seus milagres fossem mantidos temporariamente em sigilo.

Fonte: Sinais dos Tempos, outubro de 1998. p. 29 (usado com permissão)


O “bode emissário” de Levítico 16 é um símbolo de Cristo ou de Satanás?

por Alberto R. Timm

Uma análise detida de Levítico 16, à luz da tradição judaica, revela que o “bode emissário” (hebraico Azazel) é um símbolo de Satanás (e não de Cristo). 

Essa identificação é sugerida por Levítico 16:8, onde o bode “para Azazel” é mencionado em oposição ao bode “para o Senhor” (Bíblia de Jerusalém), e confirmada pela literatura pseudoepígrafa, onde Azazel é consistentemente descrito como um ser demoníaco e líder das forças do mal (I Enoque 8:1; 9:6; 10:4-8; 13:1; 54:5 e 6; 55:4; 69:2; Apocalipse de Abraão 13:6-14; 14:4-6; 20:5-7; 22:5; 23:11; 29:6 e 7; 31:5). 

Mesmo não aceitando essa literatura como inspirada, é interessante notarmos que I Enoque 54:4-6 fala sobre o futuro aprisionamento dos “exércitos de Azazel”, para serem lançados na fornalha de fogo do “grande dia do juízo”, em termos muito semelhantes ao relato do aprisionamento e castigo final de “Satanás” mencionado em Apocalipse 20.

Não é sem motivo que, de acordo com A. E. Cundall, “a maioria dos eruditos aceita que Azazel é o líder dos espíritos maus do deserto” (The Zondevon Pictorial Encyclopedia of the Bible, vol. 1, p. 426).

Embora, em sentido amplo, o próprio dia em que era realizada a purificação anual do santuário fosse chamado de “Dia da Expiação” (Levítico 23:27 e 28) e o “bode emissário” ser considerado como parte do abarcante processo expiatório (Levítico 16:10), não podemos atribuir a esse bode prerrogativas salvíficas e nem considerá-lo uma espécie de co-redentor com o outro bode. Levítico 16 é claro em afirmar 

(1) que uma expiação prévia por Arão “e pela sua casa” era efetuada pelo sacrifício de um “novilho” e pela aspersão do seu sangue (versos 11-14); 

(2) que a “expiação pelo santuário” era realizada pelo sacrifício do “bode da oferta pelo pecado” e pela aspersão do seu sangue (versos 15-19); 

(3) que o cerimonial envolvendo o bode emissário só iniciava após o término da “expiação pelo santuário, pela tenda da congregação e pelo altar” (versos 20-22); e 

(4) que outra “expiação” específica pelo sumo sacerdote “e pelo povo” ocorria através do oferecimento de holocaustos, após o bode emissário ser libertado vivo no deserto (versos 23-25). 

Uma vez que a expiação pelo pecado só ocorria através do “derramamento de sangue” (Hebreus 9:22; Levítico 17:11), e que o bode emissário não era sacrificado (Levítico 16:21 e 22), cremos que a função desse bode era simbolicamente punitiva e não redentiva.

Por outro lado, pretender que o “bode emissário” é um símbolo de Cristo significa desconhecer as funções distintas dos dois bodes mencionados em Levítico 16, bem como atribuir características nitidamente demoníacas a Cristo. 

Não podemos jamais esquecer de que Cristo é descrito nas Escrituras como havendo sido feito “pecado” apenas pelos seres humanos (I Coríntios 5:21), mas nunca por Satanás ou por qualquer dos demais anjos caídos (João 14:30; Judas 6).

Fonte: Sinais dos Tempos, outubro de 1998. p. 29 (usado com permissão)


O que Jesus queria dizer com a declaração de que alguns não passariam pela morte até que vissem “o Filho do homem no Seu reino” (Mateus 16:28)?

por Alberto R. Timm

Tem sido argumentado por alguns teólogos liberais que Mateus 16:28 fala que Cristo tencionava inicialmente voltar na era apostólica. Se esse fosse realmente o caso, então o próprio Cristo estaria Se contradizendo em relação a outras de Suas declarações que falam de uma tardança de Sua segunda vinda. 

Por exemplo, em Mateus 24 o relato dos sinais gerais que antecederiam Sua volta são intercalados pelas expressões “mas ainda não é o fim” (verso 6) e “tudo isto é o princípio das dores” (verso 8), bem como pela declaração de que o fim só viria quando o “evangelho do reino” fosse pregado “por todo o mundo, para testemunho a todas as nações” (verso 14). 

O mesmo capítulo fala também que a Segunda Vinda só ocorreria após o cumprimento dos sinais astronômicos relacionados com o Sol, a Lua e as estrelas (verso 29; ver também Joel 2:30 e 31), o que não ocorreu durante a era apostólica.

Diante disso, somos levados a concordar com os comentaristas que vêem no evento da transfiguração (ver Mateus 17:1-8; Marcos 9:28-36) o cumprimento da promessa de que “alguns” dos discípulos de Cristo veriam “vir o Filho do homem no Seu reino” (Mateus 16:28; comparar com Marcos 9:1; Lucas 9:27). Pedro, uma das testemunhas oculares da transfiguração (Mateus 17:1-2), fortalece essa interpretação através das seguintes palavras: 

“Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da Sua majestade, pois Ele recebeu, da parte de Deus Pai, honra e glória, quando pela Glória Excelsa Lhe foi enviada a seguinte voz: Este é o Meu Filho amado, em quem Me comprazo. Ora, esta voz, vinda do Céu, nós a ouvimos quando estávamos com Ele no monte santo” (II Pedro 1:16-18; comparar com Mateus 17:5; Marcos 9:7; Lucas 9:35).

Por ocasião da transfiguração houve uma representação microcósmica do futuro reino da glória. Cristo, o Rei, apareceu com Seu rosto resplandecente “como o sol” e com Suas vestes “brancas como a luz” (Mateus 17:2; comparar com Apocalipse 19:11-16). 

Com Ele estavam Moisés e Elias (Mateus 17:3), representando respectivamente aqueles que serão ressuscitados por ocasião da Segunda Vinda (Judas 9; I Tessalonicenses 4:16) e que serão trasladados vivos para o Céu sem provar a morte (Gênesis 5:24; I Tessalonicenses 4:17). Esse pode ser considerado, por conseguinte, um genuíno cumprimento da promessa de Mateus 16:28 sobre a manifestação do “Filho do homem no Seu reino”.

Fonte: Sinais dos Tempos, novembro de 1998. p. 29 (usado com permissão)


Uma vez que Jesus afirmou ser “senhor do sábado” (Mateus 12:8), por que continuar guardando esse dia?

por Alberto R. Timm

Algumas pessoas acham que o fato de Jesus haver declarado ser Ele “senhor do sábado” (Mateus 12:8; Marcos 2:28; Lucas 6:5) implica na anulação do sábado como dia de repouso. Mas uma análise mais detida do assunto não sustenta tal posicionamento. 

Declarando-Se “senhor do sábado”, Cristo estava simplesmente reivindicando Sua legítima soberania sobre o sábado, em face das tentativas dos fariseus de ensinar a Cristo e como observar esse dia (Mateus 12:1-2).

A soberania de Cristo sobre o sábado deriva especialmente do fato de ser Ele tanto o Criador quanto o Legislador do sábado. Se o sábado foi instituído na semana da criação (ver Gênesis 2:1-3; Êxodo 20:8-11; Hebreus 4:4 e 10) e “todas as coisas foram feitas por intermédio” de Cristo, “e, sem Ele, nada do que foi feito se fez” (João 1:3), então o sábado é parte das grandes atividades criadoras de Cristo.

Mas a Bíblia apresenta a Cristo também como o Legislador do sábado. Em Atos 7:38 é dito que os oráculos sagrados foram dados a Moisés “no monte Sinai” pelo “anjo” do Senhor, identificado anteriormente como o próprio Senhor, ou seja, Cristo (Atos 7:30-32; ver também Isaías 63:9; I Coríntios 10:4). 

Se o Decálogo (ver Êxodo 20:3-17), que inclui o mandamento do sábado (ver Êxodo 20:8-11), foi proclamado no Sinai por Cristo, então o próprio Cristo é o verdadeiro Legislador do sábado.

A controvérsia entre Cristo e os fariseus, registrada em Mateus 12, não diz respeito a qualquer tentativa da parte de Cristo de substituir a observância do sábado pelo domingo. O assunto em discussão é meramente a maneira como o sábado deveria ser observado. 

De um lado estavam os fariseus, tentando impor a Cristo e aos discípulos suas próprias tradições legalísticas sobre o sábado (Mateus 12:2); e, do outro, Cristo, procurando desobstruir o sábado dessas tradições humanas, para restaurar o seu propósito original descrito nas Escrituras (Mateus 12:3-8; ver também Isaías 58:13 e 14). 

Como “senhor do sábado”, Cristo possuía autoridade superior à dos fariseus em definir como o “deleitoso e santo dia do Senhor” (Isaías 58:13) devia ser observado.

Fonte: Sinais dos Tempos, novembro de 1998. p. 29 (usado com permissão)


Qual o significado da visão sobre o vale de ossos secos de Ezequiel 37:1-14?

por Alberto R. Timm

O conteúdo do livro do profeta Ezequiel pode ser dividido em duas grandes seções. A primeira é composta pelas visões recebidas, em sua maioria, antes da queda de Jerusalém em 586 a.C. (capítulos 1:1 a 33:20), e a segunda compreende as visões tidas já no próprio contexto do cativeiro babilônico (capítulos 33:21 a 48:35). 

Nesta última seção aparecem várias visões que tratam especificamente da restauração de Israel e Judá, dentre as quais se destaca a do vale de ossos secos de Ezequiel 37:1-14. O relato da visão compreende a descrição da cena, de natureza metafórica (versos 1-10), e a interpretação soteriológica (versos 11-14).

Em Ezequiel 37, os ossos “sequíssimos” espalhados pelo vale representam a desesperada condição em que se encontrava “toda a casa de Israel” durante o exílio (verso 11), devido ao longo processo de apostasia e morte espiritual pela condescendência com o pecado (ver Salmo 32:1-4). 

A restauração de Israel dessa condição é descrita na visão como se processando em duas etapas semelhantes às da criação original da raça humana (ver Gênesis 2:7). Primeiro ocorre a formação dos corpos (Ezequiel 37:7 e 8), para depois serem estes vivificados pela poderosa atuação do Espírito de Deus (versos 9 e 10). 

A expressão “abrirei a vossa sepultura, e vos farei sair dela” (verso 12) tem sido interpretada, por alguns comentaristas, como uma nova metáfora para descrever a mesma cena da restauração de Israel anteriormente mencionada e, por outros, como uma alusão à ressurreição literal dos justos mortos que haveria de ocorrer no clímax desse processo de restauração.

A revificação dos ossos secos simbolizava a restauração espiritual e política de Israel como nação, que ocorreria se os israelitas se submetessem completamente aos propósitos divinos. 

Uma vez que o povo não correspondeu com as expectativas divinas (ver Mateus 23:37 e 38; João 1:11; Atos 7), a visão não obteve seu pleno cumprimento com a nação de Israel, e precisa ser agora reinterpretada à luz do novo Israel, ou seja, da Igreja (I Pedro 2:9).

Os profetas do Novo Testamento esclarecem que a restauração final de todas as coisas não mais ocorrerá pelo retorno dos judeus para a Palestina, mas pela conversão a Cristo de representantes de “todas as nações” do mundo (ver Mateus 24:14; 28:18-20; Atos 1:8; Gálatas 3:16, 26-29; Apocalipse 14:6); não mais pela reconstrução e perpetuação da cidade de Jerusalém, mas pela vinda da Nova Jerusalém celestial (ver Hebreus 11:8-16; Apocalipse 21:2); e não mais pela renovação sócio-política da nação de Israel, ou mesmo do mundo, mas pela implantação de um “novo céu” e de uma “nova terra” (ver II Pedro 3:7-13; Apocalipse 21:1).

Fonte: Sinais dos Tempos, dezembro de 1998. p. 27 (usado com permissão)


Qual a origem de Satanás?

por Alberto R. Timm

Três passagens das Escrituras são fundamentais para a compreensão de como Lúcifer, um ser criado por Deus, perfeito, tornou-se em Satanás, a fonte e o principal instigador de todo o mal. Em Ezequiel 28 nos é dito que Lúcifer era “perfeito” e exercia a função de “querubim da guarda” antes de sua rebelião: 

“Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; permanecias no monte santo de Deus, no brilho das pedras andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniquidade em ti” (Ezequiel 28:14 e 15).

Já Isaías 14 esclarece que foi através do orgulho que surgiu o mal no coração de Lúcifer: “Como caíste do Céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por Terra, tu que debilitavas as nações! 

Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao Céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo” (Isaías 14:12-14).

E Apocalipse 12 declara que “a terça parte” das hostes angélicas se uniu a Lúcifer em sua rebelião contra Deus (versos 3 e 4), e acabou sendo expulsa do Céu: 

“Houve peleja no Céu. Miguel e o Seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e seus anjos; todavia, não prevaleceram; nem mais se achou no Céu o lugar deles. E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a Terra, e, com ele, os Seus anjos” (Apocalipse 12:7-9).

O surgimento do pecado no coração de Lúcifer é, em realidade, um mistério que não pode ser explicado a contento, pois ele teve início e continua existindo sem qualquer motivo que o justifique. 

Não havendo se originado em Deus, mas em Lúcifer, o pecado é um intruso que continua existindo no mundo (ver Efésios 6:12; I Pedro 5:8), a despeito de não possuir o direito legítimo de existência. 

Mas a promessa divina é que chegará finalmente o dia em que tanto o pecado, em todas as suas formas, como o seu autor (Satanás) serão definitivamente erradicados do Universo (ver II Pedro 3:7, 10-13; Apocalipse 20:10), não permanecendo deles “nem raiz nem ramo” (Malaquias 4:1).

Fonte: Sinais dos Tempos, dezembro de 1998. p. 27 (usado com permissão)



por Alberto R. Timm

Como os evangelhos não mencionam explicitamente o que ocorreu com Cristo dos 12 aos 30 anos de idade, muitas pessoas se sentem na liberdade de conjecturar a esse respeito. 

Alguns sugerem que nesse período Cristo Se afastou da Palestina para viver em algum lugar do Extremo Oriente. Outros propõem que nessa época Ele tenha Se ausentado da Terra para visitar outros planetas. Já um terceiro grupo alega que Ele permaneceu na Palestina, vivendo uma vida moral relativamente depravada. 

Mas, por mais originais que sejam, essas teorias não passam de meras especulações humanas, destituídas de base bíblica e de comprovação histórica.

A despeito do silêncio bíblico sobre esses 18 anos da vida de Jesus, existem fortes evidências bíblicas de que Ele continuou residindo em Nazaré até o início do Seu ministério público. 

Somos informados de que, após a Sua visita a Jerusalém, aos 12 anos de idade, Jesus regressou com José e Maria “para Nazaré; e era-lhes submisso” (Lucas 2:51); que Ele foi criado naquela mesma cidade (Lucas 4:16); que Ele veio “de Nazaré da Galiléia” para ser batizado por João Batista no rio Jordão (Marcos 1:9); e que, após o aprisionamento deste, Jesus “deixando Nazaré, foi morar em Cafarnaum” (Mateus 4:12 e 13).

Por haver residido em Nazaré todos esses anos, Jesus era conhecido pelos Seus contemporâneos como “Nazareno” (ver Mateus 2:23; 26:71; Marcos 1:24; 10:47; 16:6; Lucas 4:34; 18:37; 24:19; João 1:45; 18:5, 7; 19:19; Atos 2:22; 3:6; 4:10; 6:14; 22:8; 26:9), e os Seus seguidores, como a “seita dos nazarenos” (Atos 24:5). 

Próximo ao final do Seu ministério público na Galiléia, Jesus retornou a Nazaré, qualificada nos Evangelhos de “a sua terra” (Mateus 13:54; Marcos 6:1), sendo reconhecido pelos próprios nazarenos como “o carpinteiro” (Marcos 6:3) e o “filho do carpinteiro” (Mateus 13:55). Eles jamais O teriam reconhecido como tal se Ele não houvesse exercido tal profissão naquela cidade antes do início do Seu ministério público.

Algumas pessoas alegam que João Batista não conhecia a Cristo até ser este batizado por ele (ver João 1:31 e 33), porque Jesus havia Se mudado de Nazaré para outra localidade. Esse argumento não é válido, em primeiro lugar porque ambos estavam geograficamente distanciados um do outro. 

Enquanto Jesus permaneceu em Nazaré da Galiléia (Marcos 1:9), João Batista residia na Judéia (Lucas 1:39, 40, 65 e 80). Além disso, a questão envolvida não era tanto o relacionamento pessoal entre eles, mas o fato de João não haver até então identificado quem seria o prometido Messias (comparar com Mateus 11:2 e 3; Lucas 7:18 e 19).

Embora Jesus houvesse exercido a profissão de carpinteiro em Nazaré, até os 30 anos de idade, Suas atividades durante esse período não foram registradas nos Evangelhos por não serem tão significativas quanto os eventos relacionados com o próprio ministério de Cristo. 

Não podemos nos esquecer de que os Evangelhos não são biografias exaustivas de Jesus, e sim “evangelhos” com um conteúdo biográfico restrito ao seu específico propósito salvífico (ver João 20:30 e 31).

Fonte: Sinais dos Tempos, janeiro de 1999. p. 29 (usado com permissão)


O Espírito Santo iniciou Suas atividades no mundo apenas a partir do Pentecostes (Atos 2)?

por Alberto R. Timm

Um dos textos mais importantes para a compreensão da obra do Espírito Santo antes e após o Pentecostes é João 14:16 e 17. Nesse texto Cristo promete aos Seus discípulos uma futura dotação especial do Espírito Santo: “E Ele vos dará outro Consolador”, explicando que essa dotação seria concedida pelo mesmo Espírito que já habitava neles: “Vós O conheceis, porque Ele habita convosco”. Por conseguinte, não podemos restringir as atividades do Espírito Santo ao período posterior ao Pentecostes.

Um número significativo de alusões à atuação do Espírito Santo pode ser encontrado no Antigo Testamento. Já em Gênesis 1:2 Ele é descrito como pairando “sobre as águas”. Sansão foi possuído várias vezes, de forma sobrenatural, pelo Espírito Santo (Juízes 13:25; 14:6 e 19; 15:14). 

Davi enfatiza a onipresença do Espírito Santo ao indagar: “Para onde me ausentarei do Teu Espírito?” (Salmo 139:7-12). O Novo Testamento, por sua vez, refere-se a Zacarias (Lucas 1:67), João Batista (Lucas 1:15) e Cristo (Lucas 4:1) como homens cheios do Espírito Santo antes do Pentecostes.

Embora o Espírito Santo viesse atuando incessantemente pela salvação dos pecadores desde o início da história humana, no Pentecostes os discípulos receberam uma capacitação especial do poder do Espírito Santo para testemunhar as boas-novas da salvação em Cristo “até os confins da terra” (ver Atos 1:8). 

Em outras palavras, naquela ocasião, os seguidores de Cristo, que já manifestavam o fruto do Espírito derivado de uma experiência de salvação (ver Gálatas 5:22 e 23), receberam um dom especial do Espírito, que os capacitaria a proclamar o evangelho nas próprias línguas das diferentes “nações” representadas no dia do Pentecostes (ver Atos 2:1-13). 

Portanto, a obra do Espírito Santo é bem mais abrangente em seu escopo do que a mera concessão do dom de línguas no dia do Pentecostes.

Fonte: Sinais dos Tempos, janeiro de 1999. p. 29 (usado com permissão)


Podemos considerar a Deus como a Natureza globalizada pelas leis instituídas bioquimifisiologicamente e matematicamente?

por Alberto R. Timm

Para explicar a misteriosa origem do mundo e do Universo, só existem duas alternativas plausíveis. Ou cremos na existência de um Ser Supremo (Deus), que é a Causa sem causa de tudo o que existe; ou teremos de admitir que, em determinada época, a própria matéria era inteligente, com capacidades criadoras e organizadoras que ela não mais possui. 

Isso implica no fato de que, para descrer de Deus, o indivíduo “deve assumir que efeitos são maiores do que suas causas; que os maiores efeitos são totalmente sem causa; na realidade, que algo, e algo poderoso ainda por cima, veio do nada.” (Lucas A. Reed, Astronomy and the Bible, p. 14).

Não resta a menor dúvida de que todo ser humano possui uma necessidade inerente de algo, superior a ele mesmo, a quem ser grato pelos triunfos da vida e a quem recorrer em busca de auxílio para os seus problemas existenciais. 

Não conhecendo o Deus das Escrituras, adeptos das religiões naturais têm venerado vários elementos da própria Natureza, aos quais admiram e/ou temem. Por conseguinte, seres humanos adoraram, ao longo da História, mais de 2.500 divindades diferentes (ver Michael Jordan, Encyclopedia of Gods: Over 2,500 Deities of the World [New York: Facts On File, 1993]).

A Bíblia, no entanto, reivindica um culto monoteísta ao Deus Criador e Mantenedor do Universo, considerando todos os demais deuses como falsos (ver Êxodo 20:1-6). 

Sem qualquer tentativa de provar cientificamente a existência de Deus, as Escrituras declaram que “no princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gênesis 1:1), e qualificam como “insensato” aquele que diz que “não há Deus” (Salmo 14:1; 53:1). 

Mesmo obtendo um conhecimento parcial dos atributos de Deus “por meio das coisas que foram criadas” (Romanos 1:2), não podemos nos esquecer que é somente “pela fé” que “entendemos que foi o Universo formado pela Palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem” (Hebreus 11:3).

Em relação à natureza de Deus, devemos ser cuidadosos para não cairmos no extremo do deísmo, que afasta completamente a Deus da Sua criação (ver Ezequiel 8:12), nem no extremo oposto do panteísmo, que confunde a Deus com a Sua criação (ver Romanos 1:25). 

A despeito de Sua onipresença (ver Salmo 139:7-10), Deus é um Ser pessoal e distinto da Sua criação (ver Gênesis 1; Salmo 33:9; João 1:1-13; Colossenses 1:15-17; etc.). Mas essa natureza divina, ao mesmo tempo transcendente e onipresente, é algo que foge completamente à nossa compreensão. 

Como criaturas, não temos acesso ao Ser interior de Deus (ver I Coríntios 2:10 e 11), que “habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver” (I Timóteo 6:16). Se pudéssemos explicar plenamente a misteriosa natureza de Deus, seríamos iguais a Ele.

Fonte: Sinais dos Tempos, fevereiro de 1999. p. 29 (usado com permissão)


Seria a Bíblia o produto de uma congregação de cientistas e filósofos com a ajuda do suposto “Deus” Judeu?

por Alberto R. Timm

Os adeptos da “alta crítica” e do “método crítico-histórico” de interpretação bíblica obliteram o elemento sobrenatural das Escrituras. As profecias bíblicas são por eles consideradas como sendo escritas após os eventos preditos por elas terem sido cumpridos. 

Os relatos dos milagres bíblicos, por sua vez, são tidos como meras ilustrações retóricas de realidades espirituais. Conseqüentemente, a Bíblia não é mais considerada por tais indivíduos como uma revelação proposicional e normativa de Deus para os seres humanos, mas simplesmente como o produto da própria cultura religiosa em que foi concebida.

Mesmo refletindo componentes das várias culturas daquela época, a própria Bíblia reivindica para si a prerrogativa de ser a revelação divina para os seres humanos de todas as épocas e lugares. Centenas de vezes aparecem, ao longo do texto bíblico, expressões como “assim diz o Senhor”, “palavra do Senhor” e outras similares, para confirmar que o conteúdo transmitido pelo profeta era resultante de uma comunicação proposicional da parte de Deus (ver Hebreus 1:1 e 2). 

Em I Pedro 1:20 e 21 é dito que “nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo”.

Que o conteúdo das Escrituras não era normativo apenas para a cultura daquela época é evidente na própria comissão deixada por Cristo: 

“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações...; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mateus 28:19-20). 

Cristo não teria comissionado os Seus seguidores a ensinar a “todas as nações” se tais ensinos não fossem normativos para todas essas nações!

Com base no que a Bíblia diz a respeito de si mesma, somos levados a crer que ela não é um simples produto da cultura religiosa ou filosófica daquela época. 

Ela é, em realidade, a revelação proposicional e normativa de Deus, em linguagem humana, a todos os seres humanos de todos os tempos e lugares. Mas essa pressuposição básica não nos deve impedir de fazermos uma cuidadosa distinção entre os princípios universais e as aplicações temporais desses princípios encontrados no conteúdo das Escrituras.

Fonte: Sinais dos Tempos, fevereiro de 1999. p. 29 (usado com permissão)


Gostaria de obter uma explicação sobre o uso do véu, mencionado em I Coríntios 11:2-16.

por Alberto R. Timm

Em I Coríntios 11:2-16, Paulo afirma que “todo homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça” (verso 4), ao passo que “toda mulher ... Que ora ou profetiza com a cabeça sem véu desonra a sua própria cabeça” (verso 5). 

Endossando o uso do véu pelas mulheres que oram ou profetizam, Paulo estava em conformidade com o costume oriental (judaico e árabe) da época. Mas ao afirmar que os homens não deveriam cobrir a cabeça em tais circunstâncias, ele estava rompendo diretamente com a tradição judaica, que ainda hoje continua ordenando o oposto.

Para compreendermos essa distinção entre o homem e a mulher, quanto a cobrir ou não a cabeça, devemos ter em mente, em primeiro lugar, que Paulo está se referindo aqui ao véu como um “sinal de estar sob a autoridade de outrem” (Leon Morris). 

Essa distinção baseava-se no princípio de que cristo é “o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher” (verso 3). Por conseguinte, se a mulher deixasse de usar o véu, ela estaria assumindo uma atitude de desonrosa insubordinação para com o seu marido. Por outro lado, se o homem passasse a cobrir a cabeça, ele estaria negando “ser ele imagem e glória de Deus” (verso 7), reconhecendo o senhorio de outra autoridade em sua vida.

Mas essa subordinação funcional da mulher à autoridade do homem não pode ser isolada da declaração paulina de igualdade essencial entre ambos os sexos. Nos versos 11 e 12, Paulo é claro em asseverar: 

“No Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem, nem o homem, independente da mulher. Porque, como provém a mulher do homem, assim também o homem é nascido da mulher; e tudo vem de Deus”. Esse mesmo conceito de igualdade essencial é enunciado também em Gálatas 3:28: “Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus”.

As referências em I Coríntios 11:2-16 às “tradições” (verso 2) e aos “costume[s]” (verso 16) parecem corroborar a noção de que o uso litúrgico do véu era apenas uma norma cultural, em harmonia com o estilo do vestuário cristão oriental da época, e não um mandamento normativo para as demais culturas que não possuem tal costume. 

Como cristãos, devemos romper apenas com os elementos de nossa cultura que estejam em direta oposição aos princípios universais da palavra de Deus. Exigir, ainda hoje, que as mulheres cubram a cabeça com um véu ao adentrarem um templo ocidental é uma imposição legalística e artificial.

Fonte: Sinais dos Tempos, março de 1999. p. 27 (usado com permissão)


Por que razão Paulo ordenou que as mulheres ficassem caladas na igreja (I Coríntios 14:34 e 35)?

por Alberto R. Timm

A igreja de Corinto era composta de conversos de origem judaica e grega (atos 18:4). Nos serviços religiosos das sinagogas da época, as mulheres judias assumiam uma atitude passiva, permanecendo separadas dos homens e comportando-se com decoro e discrição. 

Já o paganismo grego de Corinto estimulava uma participação litúrgica feminina proverbialmente irreverente e imoral. Alusões são encontradas a cerca de mil prostitutas cultuais que atuavam no templo dedicado à Afrodite (deusa do amor), na Acrópole daquela cidade.

O conselho de Paulo em I Coríntios 14:34 e 35 pode ter sido motivado pela manifestação de resquícios de irreverência litúrgica entre as mulheres que aceitaram o cristianismo, provenientes do paganismo. Endossando essa posição, Jack J. Blanco parafraseou interpretativamente esse texto, em sua The Clear Word, da seguinte forma: “Como em nossas sinagogas, as mulheres que frequentam a igreja não deveriam falar em voz alta e comportar-se de maneira repreensível, como fazem nos templos pagãos, mas permanecer em silêncio e prestar atenção, como a lei ordena, de modo a não ofender os crentes judeus. 

Se vossas mulheres não conseguem entender o que está sendo ensinado, não deveriam interromper o pregador, mas esperar até chegarem em casa e perguntarem a seus maridos. Embora as mulheres pagãs falem em voz alta e interrompam os outros nos lugares de culto, é desonroso a uma mulher cristã comportar-se dessa maneira.”

Não se pode descartar a possibilidade de que Paulo, no texto em discussão, estivesse também restringindo o ensino religioso público às pessoas do sexo masculino. Mesmo sancionado à mulher o direito de orar e profetizar (ver I Coríntios 11:5), Paulo era incisivo em não permitir que a mulher ensinasse publicamente: “A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão. E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio” (I Timóteo 2:11 e 12; ver também Efésios 5:22-24). 

Essa atitude do apóstolo, de aparente discriminação da mulher, tem sido entendida por muitos comentaristas como uma manifestação de respeito para com a cultura religiosa judaica da época (ver I Coríntios 9:20; I Tessalonicenses 5:22), não podendo ser considerada como universalmente normativa. Mesmo sem que lhes seja permitido o exercício das funções ministeriais, as mulheres têm participado ativamente nos cultos públicos cristãos em culturas que o permitem.

Fonte: Sinais dos Tempos, março de 1999. p. 27 (usado com permissão)


Uma vez que as denominações cristãs alegam fundamentar seus ensinos na Bíblia, por que existem diferenças doutrinárias entre elas?

por Alberto R. Timm

Muitos teólogos e líderes cristãos estudam a Bíblia em busca de endosso para suas teorias doutrinárias, sem permitir que o próprio consenso das Escrituras os ensinem. Enquanto os assim chamados conservadores da extrema-direita tentam manter a Bíblia presa às suas tradições humanas (tradicionalistas), os liberais da extrema-esquerda procuram reler as Escrituras da perspectiva da razão humana (racionalistas), ou da experiência pessoal (existencialistas) ou da cultura moderna (culturalistas). 

É comum encontrar indivíduos que rejeitam determinados ensinos das Escrituras, de aplicação universal, sob a alegação de que “a maioria crê diferente”, “a tradição da igreja ensina de outra forma”, “isso foi só para os judeus”, “o Espírito me revelou o contrário”, etc. Não reconhecendo mais a autoridade exclusiva das Escrituras, tais pessoas advogam um subjetivismo hermenêutico que tem contribuído para aumentar ainda mais esse grande mosaico de ensinos conflitantes.

Existem, no entanto, vários movimentos que procuram eliminar ou, pelo menos, minimizar muitas dessas diferenças doutrinárias. O mais expressivo deles é, sem dúvida, o movimento ecumênico liderado pela Igreja Católica Romana desde o Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965). 

Sob a pretensão de ser a legítima guardiã da fé apostólica, a Igreja de Roma tem apelado insistentemente aos demais cristãos para que estes “retornem” à fé católica, como a preparação para o Terceiro Milênio (ver Carta Encíclica UT UNUM SINT do Santo Padre João Paulo II Sobre o Empenho Ecumênico [São Paulo: Paulinas, 1995]; Rumo ao Novo Milênio: Projeto de Evangelização da Igreja no Brasil em Preparação ao Grande Jubileu do Ano 2000 [São Paulo: Paulinas, 1995]).

A tentativa de eliminar as discórdias doutrinárias, através de um diálogo cordial e respeitoso entre indivíduos e entre denominações, é, em si, digna de apreciação (ver João 17:21-23; I Coríntios 1:10). 

Mas para o cristão genuinamente comprometido com a Palavra de Deus, esse diálogo é aceitável apenas enquanto estiver baseado no reconhecimento incondicional da Bíblia como “a única regra de fé e prática” e “a intérprete de si mesma” (ver Isaías 8:20; Mateus 7:20-23; Marcos 7;6-9; Gálatas 1:8; Apocalipse 22:18 e 19). 

No momento em que tradições eclesiásticas e posicionamentos pessoais conflitam com as Escrituras, nossa atitude deve ser semelhante a de Pedro e dos demais apóstolos, ao declararem: “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29).

Portanto, a pluralidade de ensinos conflitantes no seio do cristianismo não deriva tanto de possíveis dificuldades ou ambiguidades do texto bíblico como dos preconceitos que o próprio intérprete impõem ao texto em sua exposição das Escrituras. Devemos tentar eliminar essas diferenças doutrinárias, mas sem jamais abdicarmos do nosso compromisso incondicional com a autoridade normativa das Escrituras.

Fonte: Sinais dos Tempos, abril de 1999. p. 29 (usado com permissão)


Por que foi ordenado aos israelitas que não cozinhassem a carne do cabrito no leite de sua mãe (Êxodo 23:19)?

por Alberto R. Timm

Três vezes aparece no Pentateuco a ordem para os israelitas não cozinharem a carne do cabrito no leite de sua mãe (Êxodo 23:19; 34:26; Deuteronômio 14:21). Alguns comentaristas interpretam essa ordem como uma condenação a certos rituais pagãos à fertilidade praticados tanto no Egito, de onde os israelitas haviam saído, como na terra de Canaã, para onde eles se dirigiam. 

Jamieson, Fausset e Brown, por exemplo, afirmam que os egípcios ferviam, ao término das colheitas, “um cabrito no leite de sua mãe, e aspergiam o caldo, como um encantamento mágico, sobre os seus jardins e campos, para que estes os retribuíssem com mais produtividade na próxima estação” (Jamieson, Fausset & Brown, sobre Êxodo 23:19). 

Jack Finegan argumenta que os textos ugaríticos de Ras Shamra (localizada próximo à costa mediterrânea da Síria) prescrevem o ato de “ferver um cabrito no leite” como parte da “técnica mágica para a produção das primeiras chuvas” (Jack Finegan, Light from the Anciente Past, p. 148).

A tradição judaica, por sua vez, proíbe o consumo de qualquer carne cozida no leite (Mishnah, Hullin 8:1-5). O pensador e exegeta judeu Filo (ca. 20 a.C. 50 d.C.) via a ordem de não cozinhar o cabrito no leite de sua mãe como uma proibição de natureza ética. Matar o animalzinho, segundo ele, implicava em 

(1) acrescentar à mãe, além da dor do parto, também a dor da separação afetiva de sua prole; 

(2) causar à mãe o sofrimento de não ter o seu úbere esvaziado do leite produzido para amamentar seu filho; 

(3) usar o próprio leite destinado a “nutrir os vivos, para dar sabor e tempero ao animal morto” (Filo, Sobre as Virtudes XXV-XXVI [125-144]).

O texto bíblico não deixa claro se a questão envolvida nessa proibição era primariamente o distanciamento dos rituais pagãos à fertilidade ou apenas a preservação do relacionamento mãe e filho (cabra-cabrito). 

É evidente, no entanto, que a ordenança visava a distanciar os israelitas da prática contemporânea de cozinhar o cabrito no leite de sua própria mãe, contribuindo assim para que o filhote permanecesse por mais tempo com a sua mãe.

Fonte: Sinais dos Tempos, abril de 1999. p. 29 (usado com permissão)


Sendo que Cristo ressuscitou no domingo, não deveria este ser o dia de guarda para todos os cristãos?

por Alberto R. Timm

A maioria dos observadores do domingo tenta justificar essa prática alegando que a ressurreição de Cristo ocorreu no primeiro dia da semana. Não resta a menor dúvida de que Cristo morreu numa sexta-feira à tarde, descansou na sepultura durante o sábado, e ressuscitou antes do alvorecer do “primeiro dia da semana” (ver Lucas 23:44 a 24:12). 

Mas em nenhum lugar das Escrituras é feita qualquer alusão ao dia da ressurreição (domingo) como um novo dia de guarda, em substituição ao sábado do sétimo dia, que fora instituído pelo próprio Deus na semana da criação (ver Gênesis 2:1-3; Marcos 2:27). 

Esse dia foi incorporado por Deus no Decálogo (ver Êxodo 20:8-11), e é apresentado no Novo Testamento intimamente relacionado ao descanso da justificação pela fé em Cristo (ver Hebreus 4:4-11).

Houvesse o dia da ressurreição se transformado no novo dia de repouso da igreja apostólica, e isso certamente transpareceria na linguagem empregada nos Evangelhos e nos demais livros do Novo Testamento, escritos vários anos após a ressurreição de Cristo. 

Mas os evangelhos de Marcos e Lucas (escritos cerca de 30 anos após a ressurreição), o de Mateus (escrito cerca de 35 anos após esse evento) e o de João (escrito cerca de 60 anos após o mesmo evento) referem-se ao dia da ressurreição simplesmente como o “primeiro dia da semana”, sem qualquer deferência especial para com ele (ver Mateus 28:1; Marcos 16:2; Lucas 24:1; João 20:1, 19).

Algumas pessoas também procuram justificar a observância do domingo com base na referência ao “dia do Senhor” de Apocalipse 1:10 e no fato de os discípulos haverem se reunido em dois domingos diferentes (ver João 20:19; Atos 20:7), seguindo o conselho de Paulo de separar uma oferta para os pobres nesse dia (ver I Coríntios 16:2). 

Mas, se estudarmos detidamente o conteúdo desses textos, perceberemos que: 

(1) a reunião mencionada em João 20:19 foi realizada, não com o propósito de venerar o domingo, mas para esconder os seguidores de Cristo, perseguidos pelos judeus; 

(2) a reunião referida em Atos 20:7 era simplesmente para “partir o pão”, prática essa que podia ocorrer em qualquer dia da semana (ver Atos 2:42, 46); 

(3) o objetivo de cada um separar “em casa”, “no primeiro dia da semana”, uma oferta para os necessitados era simplesmente para que não se fizessem “coletas” quando Paulo fosse visitar os coríntios (I Coríntios 16:2); 

(4) não existem quaisquer evidências bíblicas ou históricas de que, na época em que o apóstolo João escreveu o texto de Apocalipse 1:10, o domingo já fosse chamado de “dia do Senhor” (ver Isaías 58:13; Mateus 12:8), como o foi posteriormente.

Aqueles que aceitam a tradição pós-apostólica, como normativa, não se constrangem em transportar a observância do domingo para dentro do Novo Testamento. Mas, com base no princípio de que a Palavra de Deus deve interpretar-se a si mesma, não conseguimos ver, nos textos acima mencionados, qualquer endosso bíblico para a observância do domingo.

Fonte: Sinais dos Tempos, maio de 1999. p. 29 (usado com permissão)


Existe base bíblica para o batismo de crianças por imersão?

por Alberto R. Timm

Nas Escrituras encontramos referências à circuncisão de crianças (Gênesis 17:12; Levítico 12:3; Lucas 2:21; confrontar com Gálatas 5:6; 6:15), à apresentação de crianças em tenra idade ao Senhor (Levítico 12:6-8; Lucas 2:22-24), bem como ao fato de Cristo haver abençoado algumas crianças durante o Seu ministério (Marcos 10:13-16); mas em nenhum lugar aparece, ao longo do Texto Sagrado, qualquer alusão ao batismo de crianças. 

Foi somente após a Era Apostólica que tanto o batismo infantil quanto o batismo por aspersão acabaram sendo incorporados ao cristianismo.

Várias evidências bíblicas mostram que durante a Era Apostólica o batismo era ministrado por imersão. Por exemplo, se o rito não fosse praticado dessa forma, que necessidade haveria de João Batista oficializá-lo onde havia “muitas águas” (João 3:23)? 

Como Jesus poderia ter saído “da água” (Mateus 3:16; Marcos 1:10), após ser batizado, se Ele não houvesse entrado? E que razão haveria para Filipe entrar com o eunuco na água, a fim de batizá-lo (Atos 8:36-39)? Além disso, a própria expressão de Paulo “sepultados com Ele [Cristo] no batismo” (Romanos 6:4) só tem significado se o batismo for por imersão.

Já a ministração do batismo apenas às pessoas que tenham condições de entender o significado desse rito baseia-se 

(1) no fato de Cristo ter dado o exemplo, batizando-se como adulto (ver Lucas 3:21-23); 

(2) na ordem de Cristo de que só deveriam ser batizados aqueles que previamente exercessem fé (ver Marcos 16:16); 

(3) no ensino apostólico de que, antes de ser batizada, a pessoa deve se arrepender e crer no Evangelho (ver Atos 2:38; 8:36, 37; 16:30-33); e 

(4) no fato de não encontrarmos qualquer texto nas Escrituras que fale a respeito do batismo de crianças. Diante disso, somos levados à conclusão de que o batismo infantil por aspersão é uma prática baseada na tradição pós-apostólica, não sancionada pelas Escrituras.

Fonte: Sinais dos Tempos, maio de 1999. p. 29 (usado com permissão)


Como explicar o fato da prostituta Raabe haver escondido os espias de Josué, e haver mentido a respeito (Josué 2), e Deus ainda usar de misericórdia para com ela e seus familiares. (Josué 6:22-25)?

por Alberto R. Timm

Somos propensos, muitas vezes, a pensar que Deus, para ser justo, deve restringir Sua oferta de salvação apenas às pessoas moralmente dignas. Mas a mensagem bíblica, revelada tanto no Antigo Testamento como no Novo, é que a oferta de salvação é extensiva a todos os pecadores. 

São de Cristo as palavras: “Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. Não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento” (Lucas 5:31 e 32). Em Isaías 1:18 é apresentado o convite: 

“Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã.”

A experiência da prostituta Raabe é uma das mais belas histórias de salvação pela graça “mediante a fé” (Efésios 2:8) encontradas nas páginas do Antigo Testamento. 

Como Abraão foi justificado pela fé (Gênesis 15:6; Romanos 4), e essa fé se evidenciou na prática de boas obras (Tiago 2:21-24), assim também o foi Raabe. 

Hebreus 11:31 declara que “pela fé, Raabe, a meretriz, não foi destruída com os desobedientes, porque acolheu com paz aos espias”. E Tiago 2:25 acrescenta que a fé dessa mulher foi genuína porque resultou na prática de boas obras.

Mas o fato da vida de Raabe ser poupada, sendo ela uma prostituta e havendo mentido aos emissários do rei de Jericó, não significa que Deus estivesse sancionando tais pecados explicitamente condenados no Decálogo (ver Êxodo 20:14 e 16). 

Nesse incidente, Deus manifestou Sua graça salvadora a uma prostituta possuída de uma fé genuína, com o propósito de salvá-la de sua vida de pecado. O mesmo poder regenerador que atuaria na vida da “mulher adúltera”, durante o ministério terrestre de Cristo (João 8:1-11), também transformou a vida da prostituta Raabe. 

E o mesmo amor compassivo que perdoaria as mentiras do pretensioso apóstolo Pedro (Marcos 14:27-31; 66-72) também perdoou a mentira de Raabe.

A galeria dos heróis da fé (ver Hebreus 11), da qual Raabe faz parte (verso 31), não é composta por santos que nunca pecaram, mas por pecadores que pela graça divina alcançaram a vitória sobre os seus pecados. 

Essa galeria é formada por pessoas que, à semelhança do filho pródigo (Lucas 15:11-32), deixaram as imundícies de uma vida de pecado e voltaram à casa paterna; pessoas que estavam mortas em “delitos e pecados” mas que foram regeneradas pela graça divina (Efésios 2:1 e 5). 

Assim como Deus perdoou e regenerou Raabe, Ele também está disposto a perdoar e regenerar a cada um dos demais seres humanos atingidos pelos “dardos inflamados do maligno” (Efésios 6:16).

Fonte: Sinais dos Tempos, junho de 1999. p. 29 (usado com permissão)


O ato de circuncisão é obrigatório ou opcional nos dias de hoje?
por Alberto R. Timm

A circuncisão, como sinal exterior do concerto entre Deus e Seu povo escolhido, foi instituída no tempo de Abraão (Gênesis 17:10-14, 23-27; 21:4; Atos 7:8) e incorporado posteriormente, de forma explícita, na lei de Moisés (Levítico 12:3; João 7:22). 

Apesar de haver sido temporariamente interrompida durante a peregrinação no deserto, ela voltou a ser praticada logo após a entrada dos israelitas na Terra Prometida (Josué 5:2-9). 

Que esse ato só alcançava o seu pleno sentido religioso quando acompanhado da dedicação incondicional da vida a Deus e a Sua vontade é evidente nas referências que falam de uma circuncisão do coração (ver Deuteronômio 10:16; 30:6; Jeremias 4:4).

Enquanto que no Antigo Testamento a circuncisão era uma condição básica para pertencer ao povo de Deus (Gênesis 17:9-14), no Novo Testamento essa condição passou a ser o batismo cristão (ver Mateus 28:18-20; Marcos 16:15 e 16; Atos 2:37 e 38). 

Em resposta aos cristãos judaizantes que tentavam impor a circuncisão aos gentios que aceitavam o cristianismo, o Concílio de Jerusalém deixou clara a opcionalidade dessa prática (ver Atos 15; Gálatas 2).

O apóstolo Paulo é incisivo em afirmar que “em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor” (Gálatas 5:6), o “ser nova criatura” (Gálatas 6:15) e o “guardar as ordenanças de Deus” (I Coríntios 7:19). E o mesmo apóstolo acrescenta: 

“Foi alguém chamado, estando circunciso? Não desfaça a circuncisão. Foi alguém chamado, estando incircunciso? Não se faça circuncidar” (I Coríntios 7:18). Hoje, portanto, a circuncisão, para os cristãos, não passa de uma opção pessoal, destituída de qualquer significado religioso.

Fonte: Sinais dos Tempos, junho de 1999. p. 29 (usado com permissão)


Qual a diferença entre sonhos proféticos e visões proféticas?

por Alberto R. Timm

Uma das maneiras mais freqüentes de Deus Se revelar aos Seus profetas é através de sonhos e visões (ver Números 12:6). Enquanto os “sonhos” ocorrem apenas quando o profeta está dormindo (I Reis 3:5 e 15; Daniel 9:13; etc.), as “visões” podem ser concedidas estando ele dormindo (Jó 33:15-18; Daniel 7:1 e 2; etc.) ou mesmo envolvido em suas atividades diárias (Números 24:3 e 4; Daniel 10:4-10; etc.). 

Alguns alegam, com base em Joel 2:28, que os sonhos são apenas para os “velhos” e que as visões se restringem aos “jovens”. 

Mas essa alegação é insustentável, porque na Bíblia encontramos alusões a jovens que tiveram sonhos (ver, por exemplo, Gênesis 37:2-7) e a velhos que receberam visões (ver, por exemplo, Gênesis 44:20; 46:2-4).

Embora a forma de revelação usada nos sonhos e nas visões seja muito semelhante uma da outra, parece evidente que durante as visões os vários sentidos do profeta se encontram mais notoriamente envolvidos (Daniel 10:7-11; 14-19) do que nos sonhos proféticos tradicionais. 

É interessante notarmos também que “visões” podem ocorrer mesmo durante um “sonho” profético (Daniel 4:9). Cientes do fato de que existem sonhos falsos (Jeremias 23:32; Zacarias 10:2) e visões falsas (Lamentações 2:14; Ezequiel 13:6-9, 16 e 23; 21:29; 22:28), devemos exercer o devido discernimento para não sermos enganados por tais falsificações (Mateus 24:24; ver também Mateus 7:21-23).

Fonte: Sinais dos Tempos, julho de 1999. p. 29 (usado com permissão)


Como é possível saber se um sonho é de Deus ou não?

por Alberto R. Timm

Determinar a natureza específica de cada sonho de uma pessoa é um assunto muito complexo e subjetivo. Além dos “sonhos mentirosos” e não autênticos (Jeremias 23:32; 29:8 e 9), existem dois grandes grupos de sonhos reais. 

O primeiro e mais comum deles é o formado pelos sonhos naturais, que fazem parte do processo normal de descanso durante o sono, e cujo conteúdo pode apresentar-se de forma organizada ou desorganizada. 

Uma vez que “dos muitos trabalhos vêm os sonhos” (Eclesiastes 5:3), é provável que pessoas envolvidas em assuntos religiosos acabem sonhando com eles, sem que tais sonhos sejam de origem sobrenatural.

Já o segundo grupo básico de sonhos é formado pelos sonhos sobrenaturais, que podem ser de origem divina ou satânica. Os sonhos de origem divina têm normalmente um propósito salvífico bem definido, e podem ser concedidos tanto aos profetas verdadeiros (Números 12:6), como aos membros comuns do povo de Deus (Joel 2:28), e mesmo às pessoas que não pertencem ao povo de Deus (Gênesis 41; Daniel 2). 

Por sua vez, os sonhos de origem satânica são quase sempre fascinantes, e podem conter verdades, para confundir a pessoa. Suas predições podem até se cumprir, mas eles tendem a afastar, eventualmente e de alguma forma, a pessoa de Deus e de Sua vontade (ver Jeremias 29:8; Mateus 24:24; I Pedro 5:8).

Torna-se evidente, portanto, que tanto os sonhos naturais como os sobrenaturais (quer divinos ou satânicos) podem ter um conteúdo religioso. Além disso, o simples fato de Deus conceder um sonho sobrenatural a alguém não transforma essa pessoa automaticamente num profeta, como pode-se inferir das experiências de Faraó (Gênesis 41) e de Nabucodonosor (Daniel 2). 

Embora todo profeta receba sonhos de origem divina (Números 12:6), nem todos os que recebem tais sonhos podem ser considerados profetas. O chamado para os ministérios proféticos é algo diferente e bem mais abrangente.

A atitude de atribuir a Deus a origem de todos os sonhos de cunho religioso, e de buscar sempre um significado especial para o seu conteúdo, é altamente perigosa. Aqueles que assim agem são tentados a se considerar mais privilegiados por Deus do que os demais, tornando-se presas fáceis das artimanhas do maligno. Somos advertidos pelo próprio Deus de que todos os sonhos (até mesmo os dos profetas) devem permanecer subordinados à autoridade normativa das Escrituras. 

“O profeta que tem sonho conte-o como apenas sonho; mas aquele em quem está a Minha palavra, fale a Minha palavra como verdade. Que tem a palha com o trigo? – diz o Senhor” (Jeremias 23:28). ”À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva” (Isaías 8:20; ver também Mateus 7:21-23; Gálatas 1:8 e 9; I S. João 2:4; 4:1).

Sonhos jamais são usados por Deus como um fim em si mesmos, mas apenas como um meio de nos aproximar mais dEle e de Sua Palavra (ver João 20:29). Ademais, não podemos permitir que nossa fé dependa de tais meios, possíveis de serem usados também por Satanás. 

Portanto, se você tiver um sonho que julga ser de procedência divina, mas não tem plena certeza disso, o mais prudente é tentar extrair dele uma lição positiva para a vida, até que a sua origem e o seu propósito fiquem mais bem esclarecidos.

Fonte: Sinais dos Tempos, julho de 1999. p. 29 (usado com permissão)


Segundo o Novo Testamento, os conversos ao cristianismo devem ser batizados em nome da Trindade ou apenas em nome de Cristo?

por Alberto R. Timm

Na grande comissão evangélica de Mateus 28:18-20, Cristo ordenou que o Evangelho fosse pregado a “todas as nações”, e que os conversos dessas nações fossem batizados “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (verso 19). 

No entanto, eventos registrados no livro de Atos falam de conversos que foram batizados “em nome de Jesus Cristo” (Atos 2:38; 8:16; 10:48; 19:5). Diante disso surge a indagação: Esses batismos “em nome de Jesus” invalidam a ordem de ministrar-se o batismo em nome da Trindade?

Várias teorias têm sido propostas para explicar essa aparente tensão entre a ordem de Cristo e a prática da igreja apostólica. A mais convincente delas parece ser a de que as referências ao batismo “em nome de Jesus Cristo” não estejam sugerindo uma nova fórmula batismal, mas apenas enfatizando a condição básica para esse rito ser ministrado. 

Em outras palavras, um judeu étnico ou prosélito, que já cria no verdadeiro Deus, só poderia ser batizado na comunidade cristã se ele cresse também em Jesus de Nazaré como o prometido Messias.

O mesmo Cristo que declarou, em Mateus 28:19, que o rito do batismo deve ser ministrado “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”, também afirmou, em Marcos 16:16, que a submissão a esse rito deve ser precedida pela fé que se centraliza no próprio Cristo (João 3:16; Hebreus 12:2). 

Por ocasião do Pentecostes, aqueles que, em resposta ao discurso de Pedro, aceitaram a Jesus de Nazaré como o Messias, foram batizados “em nome de Jesus Cristo” (Atos 2:38) como demonstração pública dessa aceitação.

Mas é importante notar que mesmo os textos que falam do batismo “em nome de Jesus Cristo” estão impregnados pelo conceito da Trindade. Analisando-se o conteúdo desses textos, percebe-se, em primeiro lugar, que aqueles que foram então batizados “em nome de Jesus Cristo” eram pessoas que já criam previamente em Deus o Pai. 

Além disso, em todas essas ocasiões o batismo “em nome de Jesus Cristo” foi acompanhado pelo recebimento prévio, simultâneo ou posterior do “dom do Espírito Santo” (Atos 2:38; 8:14-17; 10:44-48; 19:1-6).

Procurando invalidar a fórmula batismal em nome da Trindade, alguns indivíduos alegam que o texto de Mateus 28:19 não aparece no original grego do Novo Testamento. Essa alegação é totalmente infundada, pois não existem quaisquer evidências textuais que a comprovem. 

Embora hajam discussões significativas a respeito do conteúdo original de Marcos 16:9-20 (ver Bruce M. Metzger, A Textual Commentary on the Greek New Testament, ed. corr. [Londres: United Bible Societies, 1975], pp. 122-128), o mesmo não ocorre com Mateus 28:18-20.

Cremos, portanto, que a ministração do batismo “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito” é parte dos ensinos de Cristo que devem ser observados por Sua igreja “até à consumação do século” (Mateus 28:20).

Fonte: Sinais dos Tempos, agosto de 1999. p. 29 (usado com permissão)


Devemos orar somente a Deus o Pai, em nome de Cristo, ou podemos orar também ao próprio Cristo?

por Alberto R. Timm

Cristo orava sempre e exclusivamente ao Seu Pai (Mateus 11:25 e 26; 26:39, 42; Lucas 23:34, 46; João 12:27 e 28; 17:1-26). Quando indagado por Seus discípulos a respeito de como deveriam orar, Ele os ensinou a também se dirigirem diretamente ao Pai (ver Lucas 11:1-4; Mateus 6:5-13). 

Mas, além disso, os discípulos foram instruídos a orarem ao Pai, em nome de Cristo. Em João 15:16 o próprio Cristo afirmou: “...a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em Meu nome, Ele vo-lo conceda.” E João 16:23 complementa essas palavras com a declaração: “Em verdade, em verdade vos digo, se pedirdes alguma coisa ao Pai, Ele vo-la concederá em Meu nome.”

Mas as orientações de que devemos nos dirigir ao Pai em nome de Cristo não excluem a possibilidade de também orarmos diretamente a Cristo. Em João 14:13 e 14 o próprio Cristo fala de “pedirdes em Meu nome” e de “Me pedirdes”. 

Assim, não é de se surpreender que Estêvão haja orado: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito!” (Atos 7:59), e que a última oração das Escrituras seja: “Amém. Vem, Senhor Jesus!” (Apocalipse 22:20). Mas essa possibilidade só é aceitável pelo fato de Cristo ser plenamente Deus e digno de adoração (Colossenses 2:9; Filipenses 2:10 e 11).

Fonte: Sinais dos Tempos, agosto de 1999. p. 29 (usado com permissão)


Podemos considerar os males que ocorrem na vida das pessoas como resultados do destino?

por Alberto R. Timm

Há pessoas que não se constrangem em acusar a Deus pelos males que acontecem. É certo que Deus não apenas disciplina e corrige os Seus filhos errantes (Apocalipse 3:19), mas também castiga e destruirá, finalmente, a todos os ímpios impenitentes (Malaquias 4:1; Judas 5-7; Apocalipse 20:11-15). Mas essa disciplina e esse castigo são sempre a reação divina, misericordiosa e justa à manifestação prévia e destrutiva do pecado (Romanos 6:23). 

Assim, não podemos jamais responsabilizar a Deus pelos males que existem no mundo.
Ao longo das Escrituras encontramos inúmeros incidentes nos quais pessoas, fazendo uso do seu livre-arbítrio, afastaram-se do plano de Deus, e acabaram tendo que suportar as desastrosas conseqüências de suas próprias ações. 

Foi assim que o pecado entrou no mundo (Gênesis 3), a despeito das advertências divinas para evitar esse mal (Gênesis 2:15-17). Foi também assim que muitos idólatras israelitas acabaram perdendo a vida (Êxodo 32), em decorrência de sua atrevida desobediência às leis divinas (Êxodo 20:1-6). 

E será pela obstinada recusa de aceitar o convite divino à salvação que muitos se perderão, apesar da vontade de Deus ser que “nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (II Pedro 3:9). O princípio da escolha e de suas conseqüências é claramente enunciado nas palavras “aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6:7).

Existem males que nos sobrevêm, e que não podem ser atribuídos ao castigo divino ou à nossa imprudência pessoal. Eles ocorrem devido à própria presença do pecado (II Timóteo 3:1-7) e à atuação das forças demoníacas no mundo (Efésios 6:10-12). Os sofrimentos de Cristo (Mateus 26 e 27) e do apóstolo Paulo (II Coríntios 11:23-27) confirmam essa realidade (ver João 15:20; 16:33). 

Mas, além da maravilhosa promessa de que Deus não permite que ninguém seja tentado além de suas forças (I Coríntios 10:13), temos também a confortadora certeza de que Ele é poderoso para transformar males em bem, de forma que “todas as coisas” cooperem eventualmente para o nosso próprio bem (Romanos 8:28).

Num mundo habitado por criaturas morais, dotadas de livre-arbítrio, Deus não predetermina ou predestina tudo o que acontece. Portanto, não podemos culpar o “destino” pelas conseqüências de nossos próprios erros ou pelos males provocados pelos poderes das trevas, antagônicos à vontade divina. 

Mas, como disse alguém, apesar de que Deus nunca tenha prometido “eliminar todas as tempestades de nossa vida, Ele nos deu a certeza de estar conosco em meio às tempestades”. E é exatamente esse senso da presença de Deus que dá estabilidade e segurança ao cristão, em meio aos problemas da vida.

Fonte: Sinais dos Tempos, setembro/outubro de 1999


São todos os pecados iguais aos olhos de Deus?

por Alberto R. Timm

Fundamental para entendermos o problema do pecado é a distinção entre pecado (condição) e pecados (atos pecaminosos). O pecado é uma condição humana de alienação de Deus e um princípio interior propulsor para o mal (ver Isaías 59:2; Efésios 2:1-3 e 5). 

Esse princípio se manifesta exteriormente através de atos pecaminosos. Cristo declara que “de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura” (Marcos 7:21 e 22).

Embora a essência de todos os pecados seja sempre a mesma (alienação de Deus), existem algumas realidades que nos impedem de aceitar a teoria de que todos os pecados são iguais aos olhos de Deus. 

Uma delas é o processo pelo qual a tentação se transforma em pecado. Esse processo este geralmente composto pelos seguintes estágios: atenção, consideração, desejo, decisão, planejamento e ação (Edward W. H. Vick, Let Me Assure You [Mountain View, CA: Pacific Press, 1968], pp. 88-90). 

Uma vez que o grau de envolvimento nesse processo pode variar de intensidade, não cremos que o pecado de alguém que teve apenas um desejo pecaminoso momentâneo, mas logo o venceu, seja tão ofensivo a Deus como o pecado premeditado de Davi com Bate-Seba (ver II Samuel 11).

Que Deus não considera todos os pecados generalizadamente iguais é evidente também no fato de o próprio Deus haver prescrito diferentes sacrifícios no Antigo Testamento para a expiação dos diferentes pecados (ver Levítico 1 a 7). Além disso, se todos os pecados fossem iguais, como querem alguns, por que deveriam os ímpios ser punidos no juízo final, “segundo as suas obras” (Apocalipse 20:11-13)? 

Por que alguns haveriam de ser castigados, naquele juízo, “com muitos açoites” e outros com “poucos açoites” (Lucas 12:47-48)? Não deveriam todos receber exatamente o mesmo castigo?

Mas a despeito dos pecados serem distintos entre si, todos eles refletem a mesma essência maligna da alienação de Deus. Isso significa que, por mais insignificante que determinado pecado possa parecer, ele é suficientemente ofensivo para excluir o pecador do reino de Deus.

Fonte: Sinais dos Tempos, setembro/outubro de 1999.


Se na nova terra “a morte já não existirá” (Apocalipse 21:4), como é possível que nela “morrer aos cem anos é morrer ainda jovem” (Isaías 65:20)?

por Alberto R. Timm

Para entendermos a tensão entre Isaías 65:20 e Apocalipse 21:4, devemos fazer uma clara distinção entre o propósito original de Deus para com a nação de Israel e o plano dEle hoje para com a Igreja. 

Deus escolhera, por Sua graça, o povo de Israel e o conduzira à terra de Canaã (Deuteronômio 7:7 e 8), onde estabeleceu com a missão específica de atrair “todos os povos” à adoração do verdadeiro Deus (ver Isaías 56:1-8).

Houvessem os israelitas vivido à altura do seu chamado e cumprido a sua missão no mundo, a Terra teria se enchido “do conhecimento da glória de Deus” (Habacuque 2:14). 

A fidelidade à Aliança e a obediência aos preceitos divinos resultariam em bênçãos que melhorariam gradativamente as condições de vida na Terra, afastando “toda enfermidade” do povo eleito e aumentando, conseqüentemente, a sua longevidade (ver Deuteronômio 7:12-15, 11:8-25, 28:1-14). 

É dentro desse processo gradativo que deve ser entendida a declaração de que “morrer aos cem anos é morrer ainda jovem” (Isaías 65:20). Essa melhora da qualidade de vida continuaria até que a morte deixasse finalmente de existir. A nova terra era esperada no Antigo Testamento a partir dessa perspectiva.

Como Israel não satisfaz as expectativas da Aliança, as promessas condicionais de prosperidade não alcançaram o seu esperado cumprimento (ver Deuteronômio 28:15-68). 

Em decorrência de sua crescente apostasia, o Reino do norte foi conquistado pelos assírios (II Reis 17) e o Reino do sul pelos babilônios (II Reis 24 e 25). As promessas da Aliança também não se cumpriram cabalmente com os judeus no período pós-exílio. 

Foi especialmente pela rejeição do Messias que Israel deixou finalmente de ser a nação escolhida de Deus (ver Mateus 21:43; 23-37-39).
Se o propósito divino no Antigo Testamento era que as condições de vida no mundo melhorassem progressivamente (Isaías 65:17-25), no Novo Testamento esse quadro se inverte, pois a situação do mundo há de piorar cada vez mais, até a sua final destruição (ver Mateus 24:4-12, II Timóteo 3:1-9, II Pedro 3:7-13). 

Portanto, sob a nova Aliança, a promessa de um “novo céu” e de uma “nova terra” não mais se cumprirá por um processo de melhoria gradativa das condições de vida sobre a Terra, e sim pela intervenção sobrenatural de Deus no momento mais conturbado da História, quando finalmente as doenças e a morte deixarão de existir (ver I Coríntios 15:51-55, Apocalipse 21:1-5).

Fonte: Sinais dos Tempos, novembro/dezembro de 1999. p. 29 (usado com permissão)


Qual o significado da declaração “tudo o que se move, e vive, ser-vos-á para alimento” (Gênesis 9:3)?

por Alberto R. Timm

Algumas pessoas encaram essa declaração divina a Noé, após o dilúvio, como autorização ao consumo, sem quaisquer restrições, de toda espécie de animais limpos e imundos. Mas essa interpretação não é sancionada pelas normas e práticas alimentares encontradas nas Escrituras.

A distinção entre animais “limpos” e “imundos” já era conhecida por Noé antes do Dilúvio, pois o próprio Deus havia feito essa distinção ao mencionar os animais a serem preservados na Arca (ver Gênesis 7:2 e 8). Após sair da Arca, Noé ofereceu holocaustos ao Senhor exclusivamente “de animais limpos e de aves limpas” (Gênesis 8:20). 

Embora animais limpos fossem sacrificados ao Senhor desde a queda dos nossos primeiros pais (Gênesis 3:21 e 44), foi somente após o Dilúvio que o consumo de alimentos cárneos foi permitido, pois grande parte dos vegetais havia sido destruída (ver Gênesis 1:29; 9:1-6).

Se a intenção em Gênesis 9:3 fosse eliminar toda e qualquer distinção entre animais limpos e imundos, isso certamente apareceria nas discussões bíblicas posteriores sobre o assunto. Isso, porém, não ocorre. 

Mesmo se Gênesis 9:3 houvesse liberado temporariamente o consumo de animais imundos, o que não é o caso, essa hipotética permissão acabaria sendo desfeita eventualmente pelas leis de saúde registradas em Levítico 11:1-31, Deuteronômio 14:3-21 e outros textos bíblicos.

A própria determinação divina de preservar na Arca “sete pares” de cada espécie de animais limpos e apenas “um par” dos animais imundos (Gênesis 7:2) sugere que somente os animais limpos haveriam de ser oferecidos em sacrifício e consumidos como alimento. 

Como dos animais imundos foi preservado apenas um casal de cada espécie, bastaria que Noé imolasse o macho ou a fêmea de um casal que ainda não havia se reproduzido para acabar extinguindo definitivamente a respectiva espécie.

Devemos ser cautelosos na interpretação de “tudo o que se move, e vive”, para não acabarmos incluindo o próprio homem entre os alimentos cárneos divinamente sancionados, pois este também “se move, e vive”. 

Portanto, a expressão é uma mera generalização (semelhante à expressão “todo o mundo”, usada em português), que não desfez a distinção entre animais limpos e imundos já conhecida naquela época. Assim, após o dilúvio o homem poderia se alimentar também de animais limpos, em acréscimo aos vegetais que já vinham sendo consumidos desde a Criação (Gênesis 1:29).

Fonte: Sinais dos Tempos, novembro/dezembro de 1999. p. 29 (usado com permissão)


Qual a diferença entre o verdadeiro dom de línguas e o falso?

por Alberto R. Timm

Para identificar o verdadeiro dom de línguas, é necessário compreender primeiro o ensino bíblico sobre os dons espirituais. Em I Coríntios 12:1-11, Paulo esclarece que "os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo" (verso 4); que eles são distribuídos pelo Espírito "como Lhe apraz" (verso 11); e que eles são sempre concedidos "visando a um fim proveitoso" (verso 7). Esse fim pode ser "a edificação do corpo de Cristo" (Efésios 4:12) ou a capacitação dos cristãos para a proclamação do evangelho (Atos 1:8).

Básico para a compreensão do dom de línguas é o conteúdo de I Coríntios 14, onde Paulo procura corrigir algumas distorções. 

O propósito essencialmente evangelístico desse dom é bem definido não apenas na declaração de que "as línguas constituem um sinal não para os crentes, mas para os incrédulos" (verso 22), mas também no testemunho pessoal de Paulo ao asseverar: 

"Dou graças a Deus, porque falo em outras línguas mais do que todos vós. Contudo, prefiro falar na igreja cinco palavras com o meu entendimento, para instruir outros, a falar dez mil palavras em outra língua."

Se considerarmos atentamente a experiência dos discípulos no Pentecostes, registrada em Atos 2:1-13, perceberemos que naquela ocasião estavam congregadas em Jerusalém pessoas provenientes "de todas as nações debaixo do céu" (verso 5; ver também os versos 9-11).

Foi para proclamar o evangelho, nesse contexto específico, que o Espírito Santo concedeu aos discípulos o verdadeiro dom de línguas. E o próprio texto bíblico confirma que cada um dos presentes ao Pentecostes ouvia a mensagem em sua "própria língua materna" (versos 6, 8 e 11).

A teoria de que o genuíno dom de línguas se manifesta hoje na forma de línguas estáticas, não faladas atualmente por qualquer povo ou nação, carece de fundamento bíblico. As várias alusões, na Versão Almeida Revista e Corrigida, a "línguas estranhas" (I Cor. 14) não aparecem como tais no texto original grego, onde a expressão usada é simplesmente "línguas". 

Por outro lado, a tentativa de identificar as modernas manifestações de línguas estáticas como sendo línguas "dos anjos" (I Cor. 13:1) não é sancionada pelas Escrituras. Todas as vezes em que os anjos bons falaram com seres humanos, eles o fizeram na própria língua das pessoas com as quais se comunicavam (ver Gên. 18 e 19; Dan. 9:21-27; Luc. 1:11-20, 26-38; 2:8-15; Atos 12:6-8 e Apoc. 22:8 e 9).

Cremos, portanto, que nem todos os pretensos dons de língua são de origem divina. O verdadeiro dom de línguas é concedido pelo Espírito Santo não para a exaltação pessoal do indivíduo diante da comunidade, mas para suprir uma necessidade existente. O recebimento desse dom leva a pessoa a falar em uma genuína língua de nação, até então desconhecida para ela, sempre com um propósito evangelístico.

Fonte: Sinais dos Tempos, janeiro/fevereiro de 2000. p. 21 (usado com permissão)


Como entender a promessa de falar "novas línguas", em Marcos 16:17?

por Alberto R. Timm

Como o conteúdo de Marcos 16:9-20 não aparece nos manuscritos gregos mais antigos e melhores, especialistas em crítica textual do Novo Testamento têm sugerido que o evangelho de Marcos terminava, originalmente, com o verso 8 do capítulo 16. Diante disso, se poderia argumentar que o texto de Marcos 16:17 não compartilha da mesma autoridade canônica que o restante do Evangelho.

Mas independente de aceitarmos ou não o conteúdo de Marcos 16:9-20 como parte do Cânon Sagrado, é importante observar que, na expressão "novas línguas" de Marcos 16:17, o termo original grego para "novas" é kainós (novas línguas para quem fala) e não néos (línguas até então desconhecidas). 

Isso significa, portanto, que essas "novas línguas" dizem respeito às mesmas línguas de nações mencionadas em Atos 2:4 como "outras línguas", plenamente compreensíveis às respectivas pessoas que as reconhecem como suas línguas maternas (Atos 2:6, 8 e 11).

O fato de Mateus 16:17 colocar o dom de falar em "novas línguas" como parte dos "sinais" que haveriam de acompanhar aqueles que cressem, não significa que esse dom deveria ser concedido a todos os crentes em todas as épocas e lugares. 

Assim como os cristãos não haveriam, obviamente, de pegar "em serpentes" todo tempo (verso 18), também não é de se esperar que eles devessem falar sempre em "novas línguas". Além disso, Paulo esclarece que o dom de línguas é dado apenas a alguns crentes, havendo uma necessidade concreta que justifique a sua manifestação (ver I Cor. 12:4-11, 28-30).

Fonte: Sinais dos Tempos, janeiro/fevereiro de 2000. p. 21 (usado com permissão)


Podemos considerar os males que ocorrem na vida das pessoas como resultados do destino?

por Alberto R. Timm

Há pessoas que não se constrangem em acusar a Deus pelos males que acontecem. É certo que Deus não apenas disciplina e corrige os Seus filhos errantes (Apoc. 3:19), mas também castiga e destruirá, finalmente, a todos os ímpios impenitentes (Mal. 4:1; Jud. 5-7; Apoc. 20:11-15). 

Mas essa disciplina e esse castigo são sempre a reação divina, misericordiosa e justa, à manifestação destrutiva do pecado (Rom. 6:23). Assim, não podemos jamais responsabilizar a Deus pelos males que existem no mundo.

Ao longo das Escrituras encontramos inúmeros incidentes em que pessoas, fazendo uso do seu livre-arbítrio, afastaram-se do plano de Deus, e acabaram tendo que suportar as desastrosas conseqüências de suas próprias ações. 

Foi assim que o pecado entrou no mundo (Gên. 3), a despeito das advertências divinas para evitar esse mal (Gên. 2:15-17). Foi também assim que muitos idólatras israelitas acabaram perdendo a vida (Êxo. 32), em decorrência de sua atrevida desobediência às leis divinas (Êxo. 20:1-6). 

E será pela obstinada recusa de aceitar o convite divino à salvação que muitos se perderão, apesar da vontade de Deus ser que “nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (II Pedro 3:9). O princípio da escolha e de suas conseqüências é claramente enunciado nas palavras “aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gál. 6:7).

Existem males que nos sobrevêm, e que não podem ser qualificados como castigo divino nem como resultado de nossa imprudência pessoal. Eles ocorrem devido à própria presença do pecado (II Tim. 3:1-7) e à atuação das forças demoníacas (Efés. 6:10-12). Os sofrimentos de Cristo (Mat. 26 e 27) e do apóstolo Paulo (II Cor. 11:23-27) confirmam essa realidade (ver João 15:20; 16:33). 

Mas, além da maravilhosa promessa de que Deus não permite que ninguém seja tentado além de suas forças (I Cor. 10:13), temos também a confortadora certeza de que Ele é poderoso para transformar males em bem, de forma que “todas as coisas” cooperem eventualmente para o nosso próprio bem (Rom. 8:28).

Num mundo habitado por criaturas morais, dotadas de livre-arbítrio, Deus não predetermina ou predestina tudo o que acontece. Portanto, não podemos culpar o “destino” pelas conseqüências de nossos próprios erros ou pelos males provocados pelos poderes das trevas, antagônicos à vontade divina. 

Mas, como disse alguém, apesar de Deus nunca ter prometido “eliminar todas as tempestades de nossa vida, Ele nos deu a certeza de estar conosco em meio às tempestades”. E é exatamente esse senso da presença de Deus que dá estabilidade e segurança ao cristão, em meio aos problemas da vida.

Fonte: Sinais dos Tempos, março/abril de 2000. p. 21 (usado com permissão)


Todos os pecados são iguais aos olhos de Deus?

por Alberto R. Timm

Fundamental para entendermos o problema do pecado é a distinção entre pecado (condição) e pecados (atos pecaminosos). O pecado é uma condição humana de alienação de Deus e um princípio interior propulsor para o mal (ver Isa. 59:2; Efés. 2:1-3 e 5). 

Esse princípio se manifesta exteriormente através de atos pecaminosos. Cristo declara que “de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura” (Mar. 7:21 e 22).

Embora a essência de todos os pecados seja sempre a mesma (alienação de Deus), existem algumas realidades que nos impedem de aceitar a teoria de que todos os pecados são iguais aos olhos de Deus. Uma delas é o processo pelo qual a tentação se transforma em pecado. 

Esse processo é geralmente composto pelos seguintes estágios: atenção, consideração, desejo, decisão, planejamento e ação. Uma vez que o grau de envolvimento nesse processo pode variar de intensidade, não podemos afirmar que o pecado de alguém que teve apenas um desejo pecaminoso momentâneo, seja tão ofensivo a Deus como o pecado premeditado de Davi com Bate-Seba (ver II Samuel 11).

Que Deus não considera todos os pecados iguais é evidente também no fato de o próprio Deus haver prescrito diferentes sacrifícios no Antigo Testamento para a expiação dos diferentes pecados (ver Levítico 1 a 7). 

Além disso, se todos os pecados fossem iguais, como querem alguns, por que deveriam os ímpios ser punidos no juízo final, “segundo as suas obras” (Apoc. 20:11-13)? Por que alguns haveriam de ser castigados, naquele juízo, “com muitos açoites” e outros com “poucos açoites” (Luc. 12:47-48)? Se os pecados fossem iguais, não receberiam todos o mesmo castigo?

Mas a despeito dos pecados serem distintos entre si, todos eles refletem a mesma essência maligna da alienação de Deus. Isso significa que, por mais insignificante que determinado pecado possa parecer, ele é suficientemente ofensivo para excluir o pecador do reino de Deus.

Fonte: Sinais dos Tempos, março/abril de 2000. p. 21 (usado com permissão)

Se os mortos permanecem em estado de inconsciência, como explicar que a ‘alma’ de Raquel saiu dela por ocasião de sua morte (Gênesis 35:18)?

por Alberto R. Timm

A palavra “alma”, empregada em Gênesis 35:18 por algumas versões da Bíblia (João Ferreira de Almeida, Bíblia de Jerusalém, Lutero [original], Reina-Valera, King James Version, Revised Standard Version, New American Standard Bible), é a tradução do termo hebraico nêfesh. 

Este termo aparece 755 vezes no Antigo Testamento e foi traduzido em outros textos, pela Versão Almeida Revista e Atualizada (2ª edição), por exemplo, como “pessoa” (Gên. 14:21; Núm. 5:6; etc.), “ser” (Gên. 1:20; 2:19; 9:10; etc.), “alma” (Gên. 2:7; Deut. 10:22; etc.) e “vida” (Gên. 9:4 e 5; I Sam. 19:5; Sal. 31:13; etc.).

Existem várias razões que nos levam a crer que o termo nêfesh seria melhor traduzido em Gênesis 35:18 como “vida” do que como “alma”. Em primeiro lugar, o próprio relato bíblico da Criação esclarece que o ser humano não possui uma alma, mas é uma “alma [nêfesh] vivente” (Gên. 2:7). 

O mesmo termo (nêfesh) usado em Gênesis 2:7 para referir-se à totalidade do ser humano é empregado também para designar tanto os “seres [nêfesh] viventes” que povoam as águas (Gên. 1:20) como os animais da terra e as aves do céu (Gên. 2:19; 9:10). 

A despeito de assumir, por vezes, significados mais específicos (Deut. 23:24; Prov. 23:2; Ecles. 6:7; etc.), nêfesh jamais é usado para designar qualquer entidade que continue consciente depois de separada do corpo. Pelo contrário, as Escrituras declaram explicitamente que a nêfesh pode morrer (Núm. 31:19; Juí. 16:30), e que “a alma [nêfesh] que pecar, essa morrerá” (Eze. 18:4).

Comentando o texto de Gênesis 35:18, Derek Kidner declara que “no Antigo Testamento a alma não é concebida como entidade separada do corpo, com existência própria (como no pensamento grego), mas, antes, como a vida, que aqui se esvai” (Gênesis: Introdução e Comentário, São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1979, p. 163). 

Oscar Cullmann assegura que também no Novo Testamento a esperança de vida eterna não se fundamenta na teoria grega da imortalidade da alma, mas na doutrina bíblica da ressurreição dos mortos (Immortality of the Soul or Resurrection of the Dead? Londres: Epworth, 1958).

Procurando preservar o sentido original do texto bíblico, algumas traduções da Bíblia têm vertido o termo nêfesh, em Gênesis 35:18, por exemplo, como “suspiro” (Bíblia na Linguagem de Hoje, Tradução Ecumênica, New English Bible, Living Bible, New International Version) e “vida” (Moffatt, Lutero [revisada de 1984]). 

A Tradução Ecumênica (Loyola) verte a parte inicial de Gênesis 35:18 como: “no seu último suspiro, no momento de morrer, ela...”. E a Bíblia na Linguagem de Hoje diz: “Porém, ela estava morrendo. 

E, antes de dar o último suspiro...”. Desta forma, o texto pode ser perfeitamente harmonizado com outras passagens bíblicas que falam que os mortos permanecem em estado de completa inconsciência (ver Sal. 115:17; 146:4; Ecles. 3:9, 20; 9:5, 6 e 10; etc.).

Fonte: Sinais dos Tempos, maio/junho de 2000. p. 21 (usado com permissão)


O que aconteceu com as pessoas que ressuscitaram quando Jesus morreu (Mateus 27:51-53)?

por Alberto R. Timm

Mateus 27:51-53 nos diz que, por ocasião da morte de Jesus, “o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo; tremeu a terra, fenderam-se as rochas; abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos, que dormiam, ressuscitaram”. 

Alguns mortos, como o filho da sunamita (II Reis 4:18-37), a filha de Jairo (Mat. 9:23-26), o filho da viúva de Naim (Luc. 7:11-17) e Lázaro (João 11:1-46), já haviam sido ressuscitados antes da morte e ressurreição de Jesus. Estes, porém, não foram glorificados e nem receberam o dom da imortalidade ao serem ressuscitados.

Cristo mesmo havia declarado ser Ele “a ressurreição e a vida” (João 11:25; 10:17 e 18) e ter poder para conceder a “vida eterna” a todos quantos nEle cressem (João 3:14-16; 5:24-29; 17:2). 

O poder de Cristo sobre a morte evidenciou-se não apenas em Sua própria ressurreição, como “as primícias dos que dormem” (I Cor. 15:20 e 23), mas também na ressurreição de um grupo de “santos” que ressuscitou com Ele (Mat. 27:51-53). 

Os líderes judeus haviam subornado os guardas para negarem a ressurreição de Jesus (Mat. 28:11-15), mas esses santos ressuscitados “entraram” em Jerusalém “e apareceram a muitos” (Mat. 27:53) como testemunhas autênticas da ressurreição de Cristo e do Seu poder sobre a morte (ver Apoc. 1:18).

O texto bíblico não entra em detalhes a respeito do futuro daqueles que ressuscitaram com Jesus. Mas, se considerados como os “primeiros frutos” (ver Êxo. 23:16; 34:22 e 26; Lev. 23:9-14) da grande messe de salvos que ressuscitarão incorruptíveis por ocasião da segunda vinda de Cristo (I Cor. 15:51-55), então eles só podem ter sido ressuscitados também incorruptíveis para receber o galardão da vida eterna. 

Em seu comentário sobre Mateus 27:53, Jamieson, Fausset e Brown declaram que “esta foi uma ressurreição uma vez por todas, para a vida eterna; e, desta forma, não existe lugar para dúvidas de que eles foram para a glória com o seu Senhor, como esplêndidos troféus da Sua vitória sobre a morte” (Commentary on the Whole Bible, Grand Rapids, MI: Zondervan, 1961, p. 948).

Fonte: Sinais dos Tempos, maio/junho de 2000. p. 21 (usado com permissão)

Em que sentido Cristo concedeu autoridade aos discípulos para perdoarem pecados (João 20:23)?

por Alberto R. Timm

Em João 20:21-23, Cristo concedeu, após Sua ressurreição, uma capacitação especial de poder do Espírito Santo aos Seus discípulos, capacitação esta que lhes permitiria tanto perdoar pecados quanto reter o perdão. 

Este texto, bem como os de Mateus 16:19 e 18:18 e 19, tem sido usado por muitos para justificar a busca do perdão divino através da confissão a sacerdotes e líderes religiosos. Mas as Escrituras, no seu consenso, não reduzem o perdão divino a esse tipo de prática eclesiástica.

A Bíblia ensina, em primeiro lugar, que Deus é quem perdoa os pecados (conforme Isa. 43:25; Jer. 31:34; comparar com Mar. 2:7 e Luc. 5:21). Esse perdão deve ser buscado diretamente dEle por meio de Cristo (ver João 14:6, 13 e 14; I Tim. 2:5). 

Em Mateus 6:9-13, Cristo ensinou os discípulos a orarem diretamente ao "Pai" em busca de perdão para as suas "dívidas". Em 1a João 2:1 e 2, é dito que podemos obter o perdão para os pecados se buscarmos o único "Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo", que "é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro".

Somos admoestados também de que as faltas contra outras pessoas devem ser confessadas e restituídas, se necessário, diretamente a elas. Na oração do Senhor aparecem as seguintes palavras: 

"E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores" (Mat. 6:12). 

As implicações desta afirmação são enfatizadas por Cristo: "Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas" (Mat. 6:14 e 15; Col. 3:13).

A alusão à autoridade para perdoar e recusar-se a perdoar pecados em João 20:23 é parte da versão da Grande Comissão evangélica encontrada nos versos 21-23, que, por sua vez, está diretamente relacionada com os demais textos que falam dessa mesma comissão (ver Mat. 28:18-20; Mar. 16:15-18; Luc. 24:46-49; Atos 1:5-8). 

Sobre a passagem de João 20:19-23, o comentarista Raymond E. Brown vê um claro paralelo entre a simples ordem para batizar (Mat. 28:19) e a previsão de como o batismo separaria as pessoas (Mar. 16:16), bem como entre a simples proclamação do perdão (Luc. 24:47) e a previsão das formas nas quais o poder do perdão separaria as pessoas (João 20:23).

Cristo concedeu à Igreja, como comunidade dos crentes, a obrigação de receber como membros dela a todos que demonstrarem, por sua conduta, a genuinidade do seu arrependimento. Deu também autoridade de afastar de sua comunhão a todos aqueles cuja conduta representasse uma clara negação da fé. 

Aceitando uns e rejeitando outros, apoiada nos critérios bíblicos, a Igreja exerce a autoridade de perdoar pecados e reter pecados. É, portanto, com base no princípio de que "pelos seus frutos os conhecereis" (ver Mat. 7:15-23) que os discípulos de Cristo poderiam reconhecer os penitentes, como perdoados por Deus e, conseqüentemente, também por Sua igreja, e os impenitentes, como não havendo sido perdoados.

Fonte: Sinais dos Tempos, julho/agosto de 2000. p. 21 (usado com permissão)


Como entender a declaração de que é impossível renovar "para arrependimento" aqueles que já "provaram o dom celestial" e "caíram" (Hebreus 6:4-6)?

por Alberto R. Timm

Em Hebreus 6:4-6, o apóstolo fala da extrema dificuldade de se levar novamente ao arrependimento aqueles que rejeitam conscientemente o evangelho, após 

(1) haverem sido "iluminados" com a verdade, 

(2) provarem "o dom celestial", 

(3) tornarem-se "participantes do Espírito Santo", e 

(4) haverem provado "a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro". O texto chega a declarar que "é impossível", da perspectiva humana, "outra vez renová-los para arrependimento" (verso 6). 

Vacinados contra uma experiência com Cristo, os que vivem "deliberadamente em pecado", depois de terem "recebido o pleno conhecimento da verdade" (Heb. 10:26), acabam atribuindo muitas vezes a Satanás a própria obra de Deus para levá-los ao arrependimento (ver Mat. 12:22-32).

Embora da perspectiva humana seja "impossível outra vez renová-los para arrependimento", não podemos jamais nos esquecer de que "os impossíveis dos homens são possíveis para Deus" (Luc. 18:27; Mat. 19:26; e Mar. 10:27). Sansão havia apostatado e "o Senhor tinha Se retirado dele" (Jui. 16:20), mas isso não impediu que ele se arrependesse posteriormente de seus atos (Jui. 16:28; Heb. 11:32). 

O rei Manassés foi um dos mais ímpios líderes políticos do povo de Deus no Antigo Testamento (II Crôn. 33:1-9), mas mesmo assim o Senhor aceitou posteriormente o seu arrependimento (II Crôn. 33:10-20). 

Porém, a despeito dessas e de outras experiências semelhantes, os anais da História têm demonstrado que grande parte daqueles que se afastam conscientemente de Deus jamais voltam para Ele.

Fonte: Sinais dos Tempos, julho/agosto de 2000. p. 21 (usado com permissão)


Devemos entender as 2.300 "tardes e manhãs" (Daniel 8:14) como 2.300 dias ou como 1.150 dias?

por Alberto R. Timm

Muitos comentaristas sugerem que o período profético das 2.300 "tardes e manhãs", em Daniel 8:14, deveria ser interpretado como 1.150 dias literais. A Bíblia na Linguagem de Hoje chegou a escrever Daniel 8:14 com a expressão "1.150 dias". 

Essa interpretação, porém, por mais popular que seja, baseia-se na conjectura de que a expressão "tardes e manhãs" se refere aos sacrifícios da "manhã" e da "tarde" do antigo cerimonial hebreu (ver Êxo. 29:38-42); e que 2.300 "tardes e manhãs" seriam a soma de 1.150 sacrifícios da "manhã" com 1.150 sacrifícios da "tarde", que na prática totalizariam "1.150 dias" literais.

É certo que em Daniel 8 encontramos referências diretas ao ritual do santuário, nos versos 11-14; bem como alusões indiretas a esse ritual, na menção a um "carneiro" e um "bode" (versos 3-8, 20 e 21), animais estes que só apareciam juntos, naquele ritual, por ocasião do Dia da Expiação (Lev. 16:5).

Mas no período de tempo envolvido, a expressão usada não é "manhã e tarde", como nas alusões ao sacrifício diário (Êxo. 29:39, Núm. 28:4), e sim, "tarde e manhã", como no relato dos dias da Criação, onde cada "tarde e manhã" significa um dia completo (ver Gênesis 1:5, 8, 13, 19, 23 e 31).

Portanto, a expressão idiomática "tardes e manhãs" (hebraico `ereb boqer) exige que o numeral 2.300 permaneça como tal, sem ser artificialmente fracionado para 1.150.

Fonte: Sinais dos Tempos, setembro/outubro de 2000. p. 21 (usado com permissão)

Existe base bíblica para a interpretação das 2.300 "tardes e manhãs" (Daniel 8:14) como 2.300 anos?

por Alberto R. Timm

Estudos históricos bem abalizados demonstram que, até meados do século 19, a grande maioria dos comentaristas bíblicos protestantes interpretava as 2.300 "tardes e manhãs" como 2.300 anos (veja os citados por LeRoy E. Froom, The Prophetic Faith of Our Fathers, pp. 204-268; ou Alberto R. Timm, O Santuário e as Três Mensagens Angélicas [Engenheiro Coelho, SP: Imprensa Universitária Adventista, 2000], pp. 21-25). 

Essa mesma interpretação continuou sendo aceita nos círculos protestantes pelo menos até o final do século 19.

Existem várias razões que nos levam a aplicar o princípio "dia-ano" de interpretação profética às 2.300 tardes e manhãs. Uma delas é o relacionamento entre as 2.300 tardes e manhãs e as 70 semanas de Daniel 9:24-27. 

A visão sobre as 70 semanas foi dada a Daniel como explicação adicional à visão das 2.300 tardes e manhãs (ver Dan. 8:14, 26 e 27; 9:20-27). Nessa explicação, o único ponto de partida mencionado, que deve ser comum a ambos os períodos proféticos, é a expressão "desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém" (Dan. 9:25). 

Essa ordem entrou em vigor em 457 a.C. (ver Esd. 7:13). E não há como fazer com que as 70 semanas se estendam "até ao Ungido, ao Príncipe" (Dan. 7:25), entre 27 e 34 d.C., sem que este período seja considerado como 70 semanas de anos, ou seja 490 anos. 

Agora, se aplicamos o princípio dia-ano às 70 semanas, como grande parte dos comentaristas o fazem, também devemos aplicá-lo às 2.300 tardes e manhãs.

Outra razão é o próprio contexto histórico. A visão das 2.300 tardes e manhãs foi dada "no terceiro ano do reinado do rei Belsazar" (Daniel 8:1), rei de Babilônia. 

O cumprimento deveria ocorrer, segundo a própria visão, em "dias ainda mui distantes" (Daniel 8:26), estendendo-se "desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém" (Dan. 9:25), ou seja de 457 a.C., até o "tempo do fim", o "último tempo da ira" e o "tempo determinado do fim" (Dan. 8:17 e 19). 

Se interpretarmos as 2.300 tardes e manhãs como 1.150 dias literais (3 anos e meio) ou mesmo como 2.300 dias literais (7 anos), esse período não chegaria ao final do domínio persa, e muito menos ao tempo do fim.

Uma terceira razão é o princípio da "simbolização em miniatura", assim denominado em 1843 por George Bush, professor de Hebraico e Literatura Oriental da New York City University. 

De acordo com esse princípio, sempre que a entidade envolvida em uma profecia bíblica aparece simbolicamente miniaturizada, o tempo profético envolvido foi igualmente miniaturizado, e deve ser interpretado com base no princípio dia-ano. 

Por exemplo, em Números 14, assim como os doze espias simbolizavam doze tribos, os 40 dias representavam 40 anos (verso 34). De modo semelhante, em Daniel 8, assim como o carneiro e o bode simbolizam dois reinos (Medo-Pérsia e Grécia), as 2.300 tardes e manhãs representam 2.300 anos.

Portanto, devemos interpretar as 2.300 tardes e manhãs como 2.300 anos.

Fonte: Sinais dos Tempos, setembro/outubro de 2000. p. 21 (usado com permissão)



por Alberto R. Timm

Alguns textos falam realmente que “o Senhor endureceu o coração de Faraó” (Êxo. 4:21, 7:3, 9:12, 10:1, 20, 27, 11:10, 14:4 e 8). Outros afirmam que o próprio Faraó “endureceu o seu coração” (Êxo. 8:32, 9:34 e 35, 13:15). E há um terceiro grupo de textos que declaram simplesmente que "o coração de Faraó se endureceu" (Êxo. 7:13, 22, 8:19, 9:7).

Ezequiel 33:11 afirma que o Senhor não tem "prazer na morte do perverso, mas que o perverso se converta do seu caminho e viva". Pedro acrescenta que o Senhor não quer "que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento" (II Ped. 3:9). 

Sendo assim, só podemos concluir que o endurecimento do coração de Faraó não derivou de um arbitrário decreto divino de predestinação para a perdição, e sim de uma atitude de obstinada rebeldia por parte do próprio Faraó.

No mundo natural, "o mesmo sol que derrete a cera endurece o barro". O problema não está no sol, mas na forma diferente com que a cera e o barro reagem ao calor. De modo semelhante, o problema de Faraó não estava em Deus, mas na forma como o próprio Faraó reagia às mensagens divinas de admoestação e arrependimento. 

Em vez de se humilhar e arrepender, Faraó se fechava cada vez mais aos apelos divinos. Cada novo apelo para abrandar o coração acabava gerando o efeito contrário, de endurecimento.

É nesse sentido que Deus é descrito como causando a Faraó o que Ele apenas permitiu que ocorresse. É preciso reconhecer também que chegou um ponto na vida de Faraó em que ele acabou extrapolando os limites da misericórdia divina. 

A partir desse ponto, os apelos ao arrependimento cessaram e os juízos divinos tomaram lugar (Êxo. 7 a 12), culminando na destruição final de Faraó e do seu exército (Êxo. 14). Em tudo isso, Faraó simplesmente colheu o fruto de sua própria obstinação (ver Gál. 6:7).

Fonte: Sinais dos Tempos, novembro/dezembro de 2000. p. 21 (usado com permissão)

Como entender a declaração de que é impossível renovar ‘para arrependimento’ aqueles que ‘provaram o dom celestial’ e ‘caíram’ (Heb. 6:4-6)?

por Alberto R. Timm

Hebreus 6:4-6 fala da extrema dificuldade de se levar ao arrependimento pessoas que rejeitam conscientemente o evangelho, após 

(1) haverem sido "iluminadas" com a verdade, 

(2) provarem "o dom celestial", 

(3) tornarem-se "participantes do Espírito Santo" e 

(4) haverem provado "a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro". O texto chega a declarar que "é impossível outra vez renová-los para arrependimento" (verso 6). 

Vacinados contra uma experiência com Cristo, os que vivem "deliberadamente em pecado", depois de terem "recebido o pleno conhecimento da verdade" (Heb. 10:26), acabam atribuindo muitas vezes a Satanás a própria obra de Deus para levá-los ao arrependimento (ver Mat. 12:22-32).

Embora, da perspectiva humana, seja "impossível outra vez renová-los para arrependimento", não podemos jamais esquecer que "os impossíveis dos homens são possíveis para Deus" (Luc. 18:27; ver ainda Mat. 19:26, Mar. 10:27). 

Sansão havia apostatado e "o Senhor se tinha retirado dele" (Juí. 16:20), mas isso não impediu que ele se arrependesse posteriormente de seus atos (Juí. 16:28; Heb. 11:32). 

Manassés foi um dos mais ímpios reis do povo de Deus (II Crôn. 33:1-9), mas mesmo assim o Senhor aceitou posteriormente o seu arrependimento (II Crôn. 33:10-20). 

Mas, a despeito destas exceções, a História mostra que grande parte dos que se afastam conscientemente de Deus jamais voltam para Ele.

Fonte: Sinais dos Tempos, novembro/dezembro de 2000. p. 21 (usado com permissão)

Como explicar a existência de um dia de 24 horas nos três primeiros dias da Criação, se o Sol só apareceu no quarto dia?

por Alberto R. Timm

O relato de Gênesis 1 afirma que em cada um dos três primeiros dias da semana da Criação "houve tarde e manhã" (versos 5, 8 e 13), e que o Sol, a Lua e as estrelas só apareceram no quarto dia (versos 14-19). 

Mas não existe um consenso geral entre os comentaristas bíblicos a respeito de quando esses astros foram realmente criados. Alguns chegam a crer que todos os astros, além da Terra, vieram à existência apenas no quarto dia da Criação. 

Outros assumem que nesse dia foi criado apenas o sistema solar. Ainda um terceiro grupo sugere que o sistema solar já havia sido criado no primeiro dia, como fonte de "luz" para o mundo (versos 3-5), ou até mesmo junto com o próprio Universo, num "princípio" remoto (verso 1).

Para esse grupo, no quarto dia da Criação Deus teria apenas alterado as condições atmosféricas para que a luz dos astros pudesse iluminar adequadamente a Terra.

Gleason L. Archer argumenta em sua Enciclopédia de Dificuldades Bíblicas (p. 66): "Gênesis 1.14-19 revela que na quarta fase criadora Deus abriu o manto de nuvens o suficiente para que a luz direta do Sol caísse sobre a terra e para que tivesse lugar a observação correta dos movimentos do Sol, da Lua e das estrelas. 

Não se deve entender que o versículo 16 mostra a criação dos corpos celestes pela primeira vez no quarto dia criador; antes, ele nos informa que o Sol, a Lua e as estrelas, criados no primeiro dia como fonte de luz, tinham sido colocados em seus lugares designados por Deus com a ideia de no final das contas funcionarem como indicadores de tempo ('sinais, estações, dias, anos') para os observadores terrestres."

Seja como for, Gênesis 1 nos informa que no primeiro dia da Criação Deus não apenas formou a "luz" (verso 1), mas também "fez separação entre a luz e as trevas" (verso 4). 

Embora os três primeiros dias da Criação já fossem dias naturais de 24 horas, compostos de "tarde e manhã" (versos 5, 8 e 13), no quarto dia Deus trouxe à existência uma nítida "separação entre o dia e a noite" e uma nova realidade que permitisse aos seres humanos distinguir as diferentes "estações" e contar os "anos" (verso 14). 

Deus mesmo não necessitava desses recursos para computar o tempo, mas Ele os criou para benefício dos seres humanos, dos animais e das plantas. Cremos, portanto, que as atividades criadoras do quarto dia não conspiram contra o fato de Deus haver previamente realizado Suas atividades em dias literais de 24 horas.

Fonte: Sinais dos Tempos, janeiro/fevereiro de 2001. p. 19 (usado com permissão)

O que significa a "Festa da Lua Nova" em Isaías 66:23?

por Alberto R. Timm

No cerimonial religioso hebreu, a "Festa da Lua Nova" ocorria no início de "cada mês", sendo celebrada "todos os meses do ano" (Núm. 28:11 e 14). 

Como ocasião especial de adoração (Eze. 46:1-8), nesse dia tocavam-se as trombetas sagradas e ofereciam-se "holocaustos" e "ofertas de manjares" ao Senhor (Núm. 10:10; 28:11-15; Sal. 81:3); o povo abstinha-se de atividades comerciais e seculares (Amós 8:5); realizavam-se também banquetes especiais (I Sam. 20:5, 18, 24, 27 e 34); e pelo menos algumas pessoas costumavam visitar os profetas (2o Reis 4:22 e 23).


O Antigo Testamento emprega, de forma simultânea, as expressões "sábados", "Festas da Lua Nova" e "festas fixas" (I Crôn. 23:31; II Crôn. 2:4; 8:13; 31:3; Nee. 10:33; Isa. 1:13 e 14). Em Isaías 1:10-15 é mencionado o hipócrita culto pré-exílico associado com "as Festas da Lua Nova, os sábados, e a convocação das congregações" ou "vossas solenidades". 

Mas, desconhecendo as "festas fixas" anuais dos israelitas, Isaías 66:22 e 23 fala apenas do sábado (semanal) e da Festa da Lua Nova (mensal) como ocasiões especiais em que os remidos haveriam de adorar a Deus nos "novos céus" e na "nova terra" (comparar com Apoc. 21:1). 

Em outras palavras, Isaías anteviu, nesse texto, que os remidos haverão de se reunir semanal e mensalmente para adorar o seu Criador (comparar com Apoc. 7:9-12).

Fonte: Sinais dos Tempos, janeiro/fevereiro de 2001. p. 19 (usado com permissão)

Podemos considerar o Armagedom como a terceira guerra mundial?

por Alberto R. Timm

Muitas teorias especulativas têm sido propostas na tentativa de interpretar o Armagedom mencionado em Apocalipse 16:12-16. Hoje, uma das mais populares é a de que ele será uma guerra nuclear de grandes proporções. 

Como já ocorreram duas guerras mundiais, e o texto bíblico fala que nesse confronto estarão envolvidos os "reis do mundo inteiro" (verso 14), muitos imaginam que o Armagedom só poderá ser uma terceira guerra mundial. Por mais fascinante e lógica que essa ideia possa parecer, ela não passa de uma teoria especulativa, sem base bíblica.

Conflitos bélicos certamente continuarão existindo, e mesmo se intensificando, até o fim dos tempos (ver Mat. 24:6-8). Mas o Armagedom é descrito no livro do Apocalipse como "a peleja do grande Dia do Deus todo-poderoso" (16:14), travada entre os poderes demoníacos da "besta" e dos "reis da terra, com os seus exércitos", de um lado, e o "Rei dos reis e Senhor dos senhores" e "o seu exército", do outro (19:16 e 19).

A natureza essencialmente espiritual desse conflito é confirmada pela participação nele tanto de Cristo, o "Rei dos reis e Senhor dos senhores" que monta o "cavalo branco" (Apoc. 19:11, 16, 20), quanto do "dragão", que é Satanás, e de outros "espíritos de demônios" (Apoc. 16:13 e 14 e 12:9). 

Os dois grupos conflitantes serão definidos pelo seu relacionamento com os "mandamentos de Deus" e o "testemunho de Jesus" (Apoc. 12:17). 

De um lado, estarão "os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus", e que, conseqüentemente, não adoram "a besta e a sua imagem"; e, do outro, estarão os que adoram "a besta e a sua imagem", e que, por conseguinte, não "guardam os mandamentos de Deus" e que não "têm o testemunho de Jesus" (Apoc. 12:17, 14:9-12).

Longe de ser um mero conflito bélico-nuclear, o Armagedom será o confronto cósmico final entre as forças do bem e os poderes do mal, no qual será decidido, para sempre, quem é digno de adoração (comparar com I Reis 18). 

Embora os ímpios se prepararão belicamente para a batalha (Apoc. 16:14; ver também 20:7-9), cremos que os justos jamais assumirão uma postura de combatência militar (ver Mat. 5:38-48, Rom. 12:17-21). Nesse conflito espiritual (ver Efé. 6:10-18), Cristo e os Seus anjos pelejarão em favor dos justos, triunfando definitivamente sobre Satanás e suas hostes (Apoc. 20:1-21:8).

Fonte: Sinais dos Tempos, março/abril de 2001. p. 19 (usado com permissão)

Haverá um "lago de fogo" antes do Milênio?

por Alberto R. Timm

A Bíblia declara que "o nosso Deus é fogo consumidor" para o pecado (Heb. 12:29, Deut. 4:24 e 9:3), e que os ímpios não suportarão a manifestação plena da Sua glória (Heb. 10:26 e 27). 

Na primeira vinda, a glória de Cristo estava velada (Fil. 2:5-8), mas na segunda vinda, Ele Se mostrará "com poder e grande glória" (Luc. 21:27, II Tes. 2:8, II Ped. 3:10 e 12). Malaquias indaga: 

"Mas quem poderá suportar o dia da Sua vinda? E quem poderá subsistir quando Ele aparecer? Porque Ele é como o fogo do ourives e como a potassa dos lavandeiros" (Mal. 3:2).

Descrevendo os eventos que ocorrerão por ocasião da segunda de Cristo, Apoc. 19:20 e 21 declara que a “besta” e o “falso profeta” serão então “lançados vivos dentro do lago que arde com enxofre”, enquanto que os “restantes” dos ímpios serão “mortos com a espada que sai da boca daquele” que estará montado no “cavalo branco” (Cristo). 

Já Apocalipse 20 fala explicitamente que, ao término do período de "mil anos", todos os ímpios serão lançados no "lago de fogo e enxofre", para a "segunda morte" (versos 10, 14 e 15).

Cremos, portanto, que antes do Milênio haverá um lago de fogo parcial, que não chegará a purificar a Terra; e que após o milênio haverá outro lago de fogo, que destruirá definitivamente todos os ímpios e purificará completamente a Terra de todos os vestígios do pecado (ver Mal. 4:1).

Fonte: Sinais dos Tempos, março/abril de 2001. p. 19 (usado com permissão)