474 Salomão realmente existiu?

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"Há alguma evidência arqueológica que comprove a existência de Salomão?" M. A. T. S., por e-mail.


O reinado de Salomão 


A reputação de Salomão fundava-se não só sobre sua sabedoria proverbial, mas igualmente sobre seus empreendimentos comerciais e industriais. 


Ao passo que Davi gastou o melhor de suas energias alargando as fronteiras de seu reino, Salomão dedicou sua atenção ao trabalho de embelezar a capital e de assegurar-se rendas adicionais para seus projetos de construção e sua corte luxuosa. 


Coube também a Salomão a tarefa de executar o projeto tão caro ao coração de Davi: construir o Templo no qual a vida religiosa da nação encontrava seu centro.


A relativa paz e prosperidade do reinado de Salomão também o habilitaram a reconstruir Hazor na Galiléia, Megido no Carmelo e Gezer, cidade que veio sob seu controle quando tomou a filha de Faraó como esposa (1 Reis 9:16). 


Além disso, com a assistência do rei Hirão, de Tiro, construiu uma frota de navios em Eziom-Geber, sobre o Mar Vermelho, com a intenção de trazer ouro do fabuloso país de Ofir.


Recentemente, um ostraco foi encontrado em Tell Oasile, perto de Tell-Avive, que levava em caracteres hebraicos a inscrição: “Ouro de Ofir para Beth-oron, 30 siclos.” Trata-se da primeira confirmação obtida pelos arqueólogos de que o ouro era, de fato, de Ofir.


Um ramo dos interesses comerciais de Salomão tinha que ver com a importação de cavalos e carros, não só para suas necessidades militares, mas para revendê-los com lucro (1 Reis 10:28 e 29). 


Esse texto bíblico permaneceu obscuro até que W. F. Albright identificou o termo qweh, na palavra composta miq-qweh, com a Cilícia na Ásia Menor, onde cavalos de fina raça eram criados. O verso 28 pode ser lido como segue: “Salomão importava cavalos do Egito e da Cilícia. Os mercadores do rei os recebiam da Cilícia e a preço fixo.”


Se bem que essas transações comerciais fossem lucrativas, não bastavam para financiar a corte extravagante de Salomão e seu ambicioso programa de construções. 


Por conseguinte, ele impôs sobre a nação um sistema irregular de impostos. Para facilitar a cobrança, dividiu o território ao norte de Jerusalém em doze distritos, cada um sob a supervisão de um funcionário (1 Reis 4:7). Vestígios desses centros de coleta de impostos foram encontrados em vários lugares. 


Nas ruínas de Betesemes, os arqueólogos pensam ter identificado a residência do delegado regional. Perto da residência foi desenterrado um edifício com quartos longos e estreitos, que não podiam servir para outra coisa senão para armazenar impostos pagos em espécie. 


Um edifício semelhante foi encontrado em Laquis, no território de Judá. Esses quartos estreitos lembram quartos semelhantes no palácio de Knossos, em Creta, onde muitos vasos enormes, os pithoi, foram encontrados in situ.


O texto de 1 Reis 9:19-21 nos informa que cidades foram construídas para os carros e cavaleiros de Salomão, nas quais se empregavam estrangeiros a trabalho forçado. O verso 15 nos diz que Megido foi uma destas cidades. 


Escavações efetuadas por P. L. Guy, em 1928, nas ruínas de Megido, dão uma pequena idéia de como era Megido na época de Salomão. Uma fortaleza que ocupava o topo da colina tinha sido posta abaixo para dar lugar a um edifício mais imponente. 


Uma nova muralha do tipo casamata tinha sido construída em volta da colina com uma só porta fortificada do lado norte. Entrando pela porta da cidade e virando-se para o norte, passar-se-ia por  


uma segunda porta igualmente fortificada. Dessa porta, uma rua pavimentada levava a uma praça em redor da qual várias cavalariças estavam agrupadas. Um corredor de nove pés de largura dividia as cavalariças ao meio. Nesse corredor, pilastras de pedra serviam para atar os cavalos e suportar o teto. Ainda são visíveis as antigas manjedouras e canos de água em algumas das antigas baias.


A alvenaria de fina qualidade empregada em Megido dá evidência da assistência de construtores fenícios enviados pelo rei de Tiro. Provavelmente introduzidas por esses arquitetos foi a idéia de pilastras com capitéis de pedra calcárea. 


Vários desses capitéis foram encontrados em Megido. O estilo sugere inspiração egípcia. A idéia desse tipo de capitel foi eventualmente adotada pelos gregos e tornou-se o belo capitel jônico, característicos dos velhos templos gregos.


Não há dúvida de que os edifícios descobertos em Megido por Guy eram cavalariças. Ruínas idênticas foram descobertas em Tanaque e Eglom. Como resultado de invenções mais recentes, Yadim crê que a evidência indica que datam do tempo de Jeroboão I, e não do tempo de Salomão.


Trabalhando em Eziom-Geber sobre o Mar Vermelho, Nelson Glueck pensou ter descoberto fundições de cobre que datariam da época de Salomão. Estudos mais recentes mostram que embora esses edifícios possam datar do tempo de Salomão, não constituem absolutamente fundições de cobre. 


Tais fundições foram, no entanto, descobertas em Arabá, essa região árida que se estende da extremidade sul do Mar Morto até o golfo de Aqaba, sobre o Mar Vermelho. Em vários trechos, o terreno consiste de arenito mole com veios de cobre e ferro. 


Encontraram-se aqui e acolá pequenas fornalhas onde o minério era fundido. Em volta das fornalhas formavam-se montes de escória que servem de guia ao explorador moderno. Recintos murados foram encontrados, dentre os quais se achavam as cabanas dos mineiros, bem como as fornalhas. Com toda a probabilidade os operários eram escravos, porque somente escravos podiam ser obrigados a trabalhas no calor escorchante da região.


Deuteronômio 8:9 refere-se a Canaã como uma terra “cujas pedras são de ferro, e de cujos montes cavarás o cobre”. Cobre aparentemente também foi encontrado no vale do Jordão, a meio caminho entre o mar da Galiléia e o mar Morto. 


Explorações feitas na região, em 1964, por J. B. Pritchard, que encontrou grande número de vasos de bronze nas sepulturas próximas de Tell es-Sadiyeh. 


A presença desses vasos de bronze sugere que o bronze deveria ser abundante na vizinhança na antiguidade e que Tell es-Sadiye devesse ser identificada com Zaretã do texto bíblico. Lê-se, com efeito, em 1 Reis 7:45 e 46: “Os caldeirões, as pás e as bacias, e todos os utensílios que fez Hirão para o rei Salomão, para a casa do Senhor, todos eram de bronze polido. Na planície do Jordão, o rei os fez fundir em terra barrenta, entre Sucote e Zaretã.”


Os cânticos de Salomão 

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Em último, na ordem cronológica, vem a identificação, em 1999, pelo Dr. Rendel Harris, em um manuscrito adquirido por ele no Oriente encontrado agora na Biblioteca de John Rylands em Manchester, de uma versão síria do tão chamado “Cânticos de Salomão”, o trabalho de um cristão místico em torno do começo do segundo século, do qual referências são feitas pelo Lactantius e em algumas listas mais primitivas. 


De um total de 42 poemas, 40 estão preservados nos manuscritos de Rylands, e mais um (o primeiro na coleção) está reconstituído de uma versão Coptic de uma peça teatral conhecida como Pistis Sophia. Um segundo manuscrito, contendo textos danificados do meio do cântico 17, foi subsequentemente identificado pelo Dr. Burkitt no Museu Britânico. Uma edição definitiva, editada por Rendel Harris e A. Mingana, foi publicado pelos Governadores da Biblioteca de Rylands em 1920.